8.3.06

A ordem inversa

A ideia do tempo futuro como o de um buraco imenso, para dentro de cujo vazio se absorve tudo quanto existe, como se um remoinho que nos aspirasse o sopro vital, eis a minha cosmologia privada, a única que me dá sentido ao que sucede. E sabem porquê? Pela ideia de que o suposto passado, o do tempo antecedente e vivido, já lá está, nesse poço sem fim, sugado como se por boca insaciável. Pensando nisto, como suicida fixado no ponto negro do fim de um poço, concluo ruminadamente uma coisa que é a causa única da minha tranquilidade actual: tudo o que tenho por anterior a mim e de mim precedente, antecipou-se-me na queda. Eu que estou à frente, na linha do tempo, estou atrás no passar da meta, além da qual a vida recomeça, terminando.