18.9.07

O mundo irreal

Eu achava que era bom tomar o pequeno-almoço sentado à mesa, conseguir comer com calma as duas refeições, ter tempo para ler o jornal, ir de quando em vez ao cinema, encontrar um sorriso ao chegar-se a casa para um serão com uma família que tivesse resistido. Eu achava que era bom que isso se não perdesse e que a vida se não tornasse um automatismo das funções.
Ontem, por uns momentos, encontrei uma criatura que estudava epigrafia grega. No seu sorriso perturbador eu vi um mundo irreal. Tinha-lhe chegado um livro sobre o processo civil romano, escrito em alemão. Atropelando a euforia que intuía no seu sentir do momento, falei-lhe no teorema de Pitágoras a propósito do enigma é que viver a diagonal da vida, num mundo só com ângulos.
Ah! Nada nele tem a ver com o Direito. Lê sobre as leis dos romanos como estuda a arte na Suméria. O seu reino não é deste mundo.

14.9.07

A pequenez do dia

Comecei a arrumar a minha casa como se começasse a arrumar a minha vida. Descobri que tinha um catálogo de uma exposição que foi feita em homenagem ao José Gomes Ferreira. E nele encontrei a frase que resume, na hora do despertar este meu estado nocturno: «acordei hoje cansado de ser mais pequeno do que sou». Tento vencer o sono, inferiorizado por não ser capaz, cansado hoje, talvez, pequeno, afinal, sempre.

8.9.07

A infinita incapacidade

A frase é atribuída a Albert Einstein: «Só duas coisas são infinitas, o universo e estupidez humana, e eu não estou seguro sobre o primeiro». Se não houvesse um blog chamado «interrupção voluntária da estupidez», arriscava arrepender-me . Lembrei-me disto hoje mesmo, por não ser capaz de entender convenientemente nada do que me dizem, «com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada».