<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238</id><updated>2011-10-31T15:01:56.507Z</updated><title type='text'>O ser fictício</title><subtitle type='html'>Desmascarado no baile de máscaras</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://serficticio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>151</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1436233554102871063</id><published>2011-10-31T14:39:00.000Z</published><updated>2011-10-31T14:39:20.827Z</updated><title type='text'>A um Deus bom e piedoso</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5hTCmIzJffI/Tq6yBbIFzRI/AAAAAAAAA9M/IG6MUbBYTP0/s1600/Maria+Jos%25C3%25A9-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="310" src="http://3.bp.blogspot.com/-5hTCmIzJffI/Tq6yBbIFzRI/AAAAAAAAA9M/IG6MUbBYTP0/s400/Maria+Jos%25C3%25A9-1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nome deste &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; encerra um enigma: é que o ser fictício que nele se anuncia é afinal o ser real. Na altura em que surgiu procurava ele, entristecido autor, asilo na Literatura, refúgio na escrita, paz na escrita. Hoje, subindo a pique o escarpado da dor e alcançando a pulso os pináculos do êxtase, o coração ansioso, a alma transbordante,&amp;nbsp; sabe não estar só. Foi no Dia de Natal. Um qualquer dos deuses que povoam os Céus apiedou-se e decidiu-se a um instante de bondade, oferecendo-lhe a eternidade de uma companhia. A ficção dos sentimentos tornou-se na verdade do enamoramento, vida por vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1436233554102871063?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1436233554102871063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1436233554102871063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2011/10/um-deus-bom-e-piedoso.html' title='A um Deus bom e piedoso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5hTCmIzJffI/Tq6yBbIFzRI/AAAAAAAAA9M/IG6MUbBYTP0/s72-c/Maria+Jos%25C3%25A9-1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3175041777328080450</id><published>2011-06-02T01:11:00.001+01:00</published><updated>2011-06-02T01:18:27.153+01:00</updated><title type='text'>A inacabada narrativa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia será um parágrafo de um conto:&amp;nbsp;«&lt;em&gt;E, no entanto, se não tivesse chovido naquele dia, se os pés não tivessem inchado, embotados, peganhentos dentro da meia rota, esmigalhados pelas botas emprestadas, talvez a vida tivesse sido possível e com ela o perpetuar do rancor não saciado. Mas a um homem a quem dói é impossível não magoar&lt;/em&gt;». Hoje é apenas um excerto dele. Fui procurá-lo e a tantos outros, a esmo, assim tal como a vida surge, por me ter convencido que escrever é como andar de bicicleta, uma vez aprendido nunca mais se esquecerá. Depois de&amp;nbsp;o ler, pensei que não seria capaz de escrever assim, como esse que escreveu, interrogando-me como teria sido possível tratar-se de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A história ofende, a daquele para quem «&lt;em&gt;a vida que abreviara era já tão desinteressante como a sua e por isso não lhe deu valor&lt;/em&gt;».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3175041777328080450?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3175041777328080450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3175041777328080450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2011/06/inacabada-narrativa.html' title='A inacabada narrativa'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8193863754830486436</id><published>2010-12-12T12:46:00.001Z</published><updated>2010-12-12T21:00:50.658Z</updated><title type='text'>A conjunção cósmica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma qualquer conjunção cósmica fê-lo levantar-se e dirigir-se à minha mesa. Pediu licença. Lembrou-me, ao sentar-se e como quem me pede desculpa,&amp;nbsp;que sou «uma figura pública» e por isso sujeito a ser "conversado". Não encontrei modo de subtil de dizer que talvez sim, nem consegui&amp;nbsp;modo de explicar o facto do meu embaraço conversável. Acrescentou-me que, tal como no teatro grego, eu deveria usar máscara para esconder a minha &lt;em&gt;persona&lt;/em&gt;&amp;nbsp;por sobre&amp;nbsp;a outra. Depois falou muito, por uma qualquer conjunção cósmica que o trouxera à minha mesa. Lembrou o resto esquecido do verso do Camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, «muda-se o ser». Pediu-me que pensasse nisso. Na mudança do ser pela mudança dos tempos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma semana eu tinha estado com o meu Afonso a estudar filosofia. Tem 15 anos. Perguntou-me o que era a concepção do mundo. Era o tema do próximo exercício.&amp;nbsp;Tentei, decompondo a palavra alemã "Weltanschauung", que traz os elementos necessários para que se entenda o que é a ideia de cosmovisão. Chegou lá porque dá os primeiros passos no Goethe Institut, e porque tem um pensamento lógico, que o leva a ter sido&amp;nbsp;um excelente aluno em matemática. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma qualquer conjunção trouxe-me hoje a cosmovisão. Momentos depois acabei de ler o&amp;nbsp;livro que arrastava. Ganhei coragem e sorri à vizinha da mesa do lado. E disse-lhe bom dia, para ela sorrir também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já na rua, chover na rua tornou-se uma forma de saudar a pujança da Natureza e a sua vitalidade, mesmo sem guarda-chuva. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8193863754830486436?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8193863754830486436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8193863754830486436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2010/12/conjuncao-cosmica.html' title='A conjunção cósmica'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-337921393667658068</id><published>2010-09-30T06:11:00.001+01:00</published><updated>2010-09-30T06:19:38.740+01:00</updated><title type='text'>Necrologia prematura</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 15px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Pedem-me uma biografia e levam com uma necrologia para que os outros sobrevivos, predadores de cadáver, não inventem a lenda do que não foi. A morte é a interrupção do presente e a condenação inexorável de um indivíduo ao seu passado. Estátua de sal, nega-se-lhe o futuro. O tempo é uma ficção. Como o meu pai era mais velho do que o meu avô, o meu filho mais novo, que tem quinze anos, é neto de um homem que nasceu há dois séculos. Por isso, cheguei aos 61 com a noção de já ter vivido mais do que haverá para viver. Filho de solicitador, queria ser juiz. Mas ao ter corrido o risco de uma filha em Direito, fiz tudo para o evitar. Em vão. Eis o que mostra quanto a minha felicidade na advocacia é uma ilusão e prova quantos sucessos aparentes escondem fracassos evidentes. No caso, advogando contra uma miúda, perdi. Em suma, não quero ser o que sou nem que haja mais assim. Além disso, nasci em Angola. Não tenho, porém, a nostalgia de África, nem orgulho pelo que vi acontecer à minha terra. Vivi os pavores nocturnos das metralhadoras e das catanas, a fúria raivosa e primitiva. Dizem-me que os cubanos carregaram com o mármore das campas dos meus avós para a sua ilha. Portugal é um gosto adquirido, mas sou mais patriota do que muitos portugueses que se alugariam à Espanha, a troco de uns churros. Herdei a ânsia criadora do meu pai. Fundou um rádio clube, registou-o na frequência dos 7.945 kilociclos por segundo, na banda dos 41 metros. A rádio em onda média, descobri-a já garoto, a frequência modulada, um luxo de adolescente. Gatinhava a mandarem-me calar, para abrirem o microfone: aprendi aí a linguagem do silêncio. O culto do dever e do orgulho revoltoso, herdei-os pela via materna. Comprazia-me ser de alguém que aos oitenta e sete acha, sem vacilar, que «isto só vai é à bomba!». Eu apoio, à minha escala, armazenando petardos. Depois é a ideologia, aquilo que a cabeça fabrica e a sociedade molda. O meu horror ao burguês e ao seu mundo do ter nasceu com o existencialismo. A tragédia do homem como ser defectivo, um amputado em busca ansiosa do que lhe falta, lascando-se no perpétuo movimento que é viver, marca o meu dia e prenuncia o meu fim. Por isso, poucos desejaram, como eu, uma família, e nunca a tive. Produto de zangas sucessivas, a minha prole é uma espécie de cissiparidade, como a que estudávamos nas ciências, no tempo em que a quarta classe era a escola primária, o liceu e a universidade. Por tudo isto, não tenho uma biografia nem uma intimidade que deva ser contada. Tal como o Ruben A., eu sou o outro que era eu. Um dia perdi-me da transcendência, depois desencontrei-me da sociabilidade. Se pudesse mudar o rumo aos acontecimentos começaria por trocar de pele. Não me cansa o mundo como vontade, sim como representação. Estou exilado na Literatura, fiz da ficção casa, da escrita lar, dos leitores família.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-337921393667658068?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/337921393667658068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/337921393667658068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2010/09/necrologia-prematura.html' title='Necrologia prematura'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04958970604904404916</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_vRvBp7IOHm4/StnoYUEKJyI/AAAAAAAAAJo/s7zZPLEYW80/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7066064473460243859</id><published>2009-05-24T16:45:00.005+01:00</published><updated>2009-05-24T17:05:35.586+01:00</updated><title type='text'>Fantasia em ai menor!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Coitadinhos dos escritores de ficção, pobrezinhos dos romancistas que são os que ficcionam em extensão, ai dos novelistas que ficcionam concentradamente. Tristes todos. Dão dó e fazem pena. E porquê esta lamúria em ai, como diria e bem o Mário Viegas que outro dia vi no blog da Fernanda? Por terem de inventar fantasias que há tome por realidades, personagens que há quem assuma serem pessoas. Escrevem sobre a terceira pessoa e são lidos como se falassem da segunda. Pensam como se fossem o outro e há quem pense que o outro são eles. Tristes, pois, coitados, pobres deles. A minha compaixão em ai para esses condenados a não terem ilusão. Para muitos leitores é como se cada linha fosse um remoque, cada página um acto de rancor. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hR5zQxCKdBE"&gt;Ai!&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7066064473460243859?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7066064473460243859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7066064473460243859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/05/fantasia-em-ai-menor.html' title='Fantasia em ai menor!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-624894776015208516</id><published>2009-05-09T09:27:00.005+01:00</published><updated>2009-05-09T09:58:56.981+01:00</updated><title type='text'>A possibilidade de olhar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje estão nuvens escuras, diluídas num céu opaco, uma luz de prata ferindo a possibilidade de olhar. Ainda haver calor, o sol qual laranja jorrar o seu sumo de cor inundando-nos a pele, tudo isso parece estar em suspensão. Olho para o relógio como se pudesse estar por horas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasci numa terra em que havia só duas estações. Já era adolescente quando aprendi, ao sentir, o que era haver o renascer da Primavera, seguir-lhe o incêndio do Verão, e ser o Outono a preparação melancólica para o recolhido Inverno. Foi na meia idade que tudo se transmutou para haver já só tempo quente e tempo frio. Agora já nem se sabe. É Primavera e faz frio, há dias de Verão em que o gelo nos paralisa o coração. Hoje é a quietude da Natureza estar, enfim, em nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-624894776015208516?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/624894776015208516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/624894776015208516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/05/possibilidade-de-olhar.html' title='A possibilidade de olhar'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4839253747903642499</id><published>2009-05-04T23:29:00.004+01:00</published><updated>2009-05-04T23:59:58.531+01:00</updated><title type='text'>O grito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há vidas escravizantes: são aquelas que, por serem isso, roubam o tempo em que se poderia ser outra coisa. Mas há vidas que são elas próprias a escravatura: são aquelas em que, ao sermos essa outra coisa, é como se deixássemos de viver. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma pessoa tem uma profissão e não tem tempo para ler: os amigos compreendem e talvez lastimem. Uma pessoa tem uma profissão e lê um livro: os amigos não compreendem, preocupados, como é possível estarmos a descurar as obrigações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É este o triste destino da cultura para os que não vivem da cultura: ou é um desperdício de tempo pelo qual nos censuram, como a um perdulário o excesso, ou uma perda de tempo pela qual nos criticam, como a um pobretanas a preguiça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sente-se às vezes pudor ao dizer «acabei de ler este livro». Mas, para se ser verdadeiro, não há menos ganas de gritar, em certos dias de raiva, na Praça da Incompreensão, para que ouçam mesmo os que não falam: «acabei de ler a Biblioteca de Alexandria. Há cinco minutos. Em Braille. Eu seja ceguinho!». &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4839253747903642499?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4839253747903642499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4839253747903642499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/05/o-grito.html' title='O grito'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-2281790476150069347</id><published>2009-04-30T23:59:00.002+01:00</published><updated>2009-05-01T21:51:25.767+01:00</updated><title type='text'>O calor e a força</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este post foi escrito no dia 1 de Maio. Coloquei-lhe a data do dia de ontem. Não escrevi nada nesse dia. Poderia ter escrito. O mundo tem o calor e a força dos nossos anos. Li isto esta manhã: «il mundo ten la quelor i la fuorça de ls nuossos anhos». É ainda o livrinho em mirandês, &lt;em&gt;Las Cuntas de Tiu Jouqin&lt;/em&gt;. Leio-o muito devagar. Volto repetidas vezes atrás. Esta manhã encontrei-me com ele. Podia ser ontem. A vida vai-se despedindo de nós, desinteressando-se da nossa sorte. É essa a força dos nossos anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-2281790476150069347?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2281790476150069347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2281790476150069347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/04/o-calor-e-forca.html' title='O calor e a força'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8742899044176615401</id><published>2009-03-25T07:12:00.006Z</published><updated>2009-03-25T13:36:58.612Z</updated><title type='text'>Uma salva de palmas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Preocupado, o médico tentava apurar a extensão da confusão mental que a doença estava a gerar, progredindo agora quase sem controlo. «Que dia da semana é hoje minha senhora?», perguntou, um sorriso luzidio a convidar à resposta. «Não sei», respondeu ela, sem dar tempo a que o tempo ajudasse a desgastada memória. «Sei que estamos em Março e o meu filho faz anos», foi quanto disse. Momentos antes, sentados ambos, mãe e filho, na salinha de espera, lado a lado, o silêncio a pesar entre eles como uma humidade viscosa, saiu-lhe da boca como um lamento: «Sessenta anos, José António, caramba! Parece que foi ontem». Daqui a pouco telefonará, como todas as vezes antes das oito, fazendo a sua melhor voz, tentando que a amabilidade exprima, com o sentimento do momento, os votos de um dia bem passado. «São só os primeiros sessenta anos, deixa lá», dir-lhe-á ele, tentando ser engraçado, o tom de voz a procurar contribuir para uma salva de palmas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8742899044176615401?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8742899044176615401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8742899044176615401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/03/uma-salva-de-palmas.html' title='Uma salva de palmas'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6678190460402245582</id><published>2009-03-22T19:25:00.005Z</published><updated>2009-03-22T19:34:17.901Z</updated><title type='text'>Começar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acorda-se de madrugada e diz-se: vou começar. Chega, entretanto, uma amiga sonolência, a tomar conta de nós, amaciando-nos os ímpetos. Já mais pelas sete e pouco volta o desejo e a vontade: pelas oito saio para um banho e um passeio, porque faz bem andar a pé. Pelas nove, ainda sem desejo de banho ou vontade de passear, pensa-se: se agora me levantasse estava à abertura das dez no lugar onde costumo ler e tomava, entretanto, o pequeno-almoço. Passam as dez e estamos agora a reconciliar-nos com a vida. Nessa altura já as horas não contam. Tudo isto não é por ser domingo, é só por termos dito ao acordar: vou começar. E recomeça-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6678190460402245582?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6678190460402245582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6678190460402245582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/03/comecar.html' title='Começar'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-2546443814611197827</id><published>2009-03-02T23:00:00.004Z</published><updated>2009-03-02T23:06:17.382Z</updated><title type='text'>Uma vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma pessoa vem aqui e escreve que não escreveu nada. Ou diz que não lhe apetece escrever, ou que nada tem para dizer. Os outros, ávidos de interpretação, imaginam logo o vazio. E porque não pode isto ser, afinal, a evidência de uma vida preenchida? Uma vida enfim sem necessidade de palavras, uma vida carregada de vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-2546443814611197827?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2546443814611197827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2546443814611197827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/03/uma-vida.html' title='Uma vida'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3900888215156868054</id><published>2009-02-20T17:58:00.004Z</published><updated>2009-02-20T18:14:12.102Z</updated><title type='text'>Resistência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conta-se que Calígula tendo condenado um velho a assistir à execução do próprio filho, levou o sadismo a ponto de o convidar para jantar no dia seguinte, compelindo-o então a rir e a brincar. Consta que o velho acedeu. Quem viu não sabia porquê: é que ele tinha um outro filho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É esta a lição que aprenderam, sem a estudar, os que têm uma outra vida: riem-se da vida que lhes morreu, para que viva a que se lhes segue. O humor estóico não é uma forma de consolo, sim um meio de resistência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3900888215156868054?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3900888215156868054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3900888215156868054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/02/resistencia.html' title='Resistência'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1244915714044425718</id><published>2009-02-15T23:59:00.002Z</published><updated>2009-02-17T08:52:45.248Z</updated><title type='text'>A memória e o esquecimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vamos imaginar que estou num local onde não é possível escrever para a blogoesfera, ou num estado de alma onde não me apetece escrever seja o que for. Hoje é domingo. Amanhã o &lt;em&gt;Diário de Notícias&lt;/em&gt; vai publicar uma entrevista que o escritor António Lobo Antunes concedeu a João Céu e Silva. Como é que eu sei isso? Porque ante datei este post e assim pareço fazer futurologia. O tempo é como a obra do Lobo Antunes, redondo. Se me distraio o meu amanhã ainda acaba por ser uma forma de esquecer ontem. O mais, é memória e esquecimento. Ao fim da tarde, alguém lembrava na rádio um poema do Jorge Luís Borges: «Ya somos el olvido que seremos. El polvo elemental que nos ignora y que fue el rojo Adán y que es ahoratodos los hombres y los que seremos.».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1244915714044425718?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1244915714044425718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1244915714044425718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/02/vamos-imaginar-que-estou-num-local-onde.html' title='A memória e o esquecimento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-2972163084429752640</id><published>2009-02-13T23:59:00.001Z</published><updated>2009-02-14T00:30:25.233Z</updated><title type='text'>Amanhã em viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chama-se viajar ao acto de nos colocarmos numa outra dimensão do espaço para imaginarmos uma nova dimensão do tempo. A noite da véspera dá por vezes em insónia, no medo de não acordar, no perigo de passar o tempo e não chegar sequer a novidade do lugar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O viajante perfeito é uma mala de esperanças e o estremunhado que a carrega. Deitemo-nos, por isso cedo. Se há que viajar amanhã, comece-se desde já só porque ainda é hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-2972163084429752640?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2972163084429752640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2972163084429752640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/02/amanha-em-viagem.html' title='Amanhã em viagem'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5637185514993887982</id><published>2009-02-06T23:26:00.002Z</published><updated>2009-02-06T23:29:38.775Z</updated><title type='text'>A noite</title><content type='html'>Abriu o breve bilhete e leu: «Abraço-te, no adufe da noite, a querer bailar no imaginário». Amigo, o vento rufou, queridas, as nuvens esconderam-nos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5637185514993887982?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5637185514993887982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5637185514993887982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/02/noite.html' title='A noite'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8193166279655455971</id><published>2009-02-03T17:31:00.002Z</published><updated>2009-02-03T17:49:37.959Z</updated><title type='text'>A salvação do mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A irrequietude da sensibilidade nasce da incerteza da existência. Nisso os plácidos vivem tranquilos, a vida pacata. Depois há o chamar-se ao viver mais complexidade do que a necessária. Um poente é na sua singeleza uma totalidade pacífica, contemplá-lo uma forma de reintegração. Tal como nas colónias de formigas, os sacrificados são-no por uma abstracção, o sentido do dever. É isto o máximo de compreensão para quem troca a salvação do mundo por um dia de preguiça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8193166279655455971?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8193166279655455971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8193166279655455971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/02/salvacao-do-mundo.html' title='A salvação do mundo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5131392550501485100</id><published>2009-01-30T22:26:00.004Z</published><updated>2009-01-30T22:42:32.946Z</updated><title type='text'>A alucinação nocturna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que leva alguém a conseguir escrever? Porque sucede em alguns dias só nos existirem as palavras necessárias? Há no deserto um sono feito de desolação e de miragem. De noite sob as estrelas. Talvez sejam estes os alimentos da literatura. Na poética há a alucinação nocturna, a febre diária, as convulsões do acto criador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho um livro para devolver, que já me lembraram que no tinham apenas emprestado. Tenho de o tirar da estante com um escadote. É esta inacessibilidade que dá grandeza à: sobeja-nos sempre à vontade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois ficamos triste por causa do livro não escrito e por causa do livro não lido. Só no acto de se nos formarem as palavras sentimos um breve contentamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevo isto tudo porque o dia está a acabar. Se não estivesse muito cansado ia ler. Assim nem escrevo. Excepto isto, que é um lugar comum na obra de criação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5131392550501485100?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5131392550501485100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5131392550501485100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/01/alucinacao-nocturna.html' title='A alucinação nocturna'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6826045202981090564</id><published>2009-01-27T19:12:00.004Z</published><updated>2009-01-27T19:40:53.360Z</updated><title type='text'>Kung Hei Fat Choy</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por não andar com a escrita a tempo e horas esqueci-me de anotar esta. Começou o novo ano chinês, que este ano é o Ano do Búfalo. É o meu ano, pois nasci em 1949, o ano em que foi fundada a República Popular da China.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora ao ouvir um apontamento de reportagem, creio que na Antena 2, dizia um jornalista chinês, entrevistado a propósito, que os nativos do signo correspondente ao ano, eram nesse ano muito frágeis. E eu a pensar que, ao contrário, era o ano da nossa maior fortaleza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas seja! Vinha tudo isto a respeito do conselho que o dito jornalista: para dar força, o vigor necessário a enfrentar o ano que, por ser do próprio, pode ser um ano adverso, urge usar algo de vermelho. De preferência um cinto vermelho. Na falta de cinto vermelho, cuecas vermelhas. Isso mesmo, cuecas vermelhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pronto, eis o que queria dizer. Este ano estou vulnerável. No momento em que na China se queimavam panchões, e se trocavam os &lt;em&gt;kung hei fat choy&lt;/em&gt; da época, devia estar eu de cuecas cor da Revolução Cultural. Ousei enfrentar os deuses, sem cuecas! Que os demónios tenham piedade de mim com elas! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6826045202981090564?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6826045202981090564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6826045202981090564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2009/01/kung-hei-fat-choy.html' title='Kung Hei Fat Choy'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3681263235646324182</id><published>2008-12-28T20:19:00.003Z</published><updated>2008-12-28T20:46:07.877Z</updated><title type='text'>Perpetuum mobile</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Houve um tempo em que esta música foi companhia. Repetida, incessante, enleante, uma helicoidal sonora, a hélice acústica de um turbilhão interior, o ronronar reconfortante do adormecer a alma em paz. Houve um tempo em que um programa de rádio eu, anónimo, clandestino, ignorado, abria o microfone e falava, apenas a voz traindo o meu ser inesperado, abria e encerrava sem outro indicativo a não ser esta música. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FvbCV6E0Wro&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Esta música&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, precisamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3681263235646324182?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3681263235646324182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3681263235646324182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/perpetuum-mobile.html' title='Perpetuum mobile'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-9038663992960587185</id><published>2008-12-27T18:18:00.003Z</published><updated>2008-12-27T18:22:33.540Z</updated><title type='text'>Problema de tradução</title><content type='html'>Tenho vindo a traduzir um livro. Mais devagar do que devia. Há momentos saíu-me esta frase: «Parece-me que embora não esteja contente com o que acontece, está, pelo menos, tranquilo, o que é uma maneira de estar contente com atenuantes». Uma pessoa lê isto e filosofa a sua própria paz, mesmo que seja a de não se entender consigo mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-9038663992960587185?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9038663992960587185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9038663992960587185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/problema-de-traduo.html' title='Problema de tradução'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4241386528642211944</id><published>2008-12-23T18:19:00.006Z</published><updated>2008-12-24T01:14:05.152Z</updated><title type='text'>Bom Natal!</title><content type='html'>É Natal. Está quase aí o Natal.&lt;br /&gt;Natal para todos, os que não querem Natal e os que fogem do Natal.&lt;br /&gt;Natal para os que julgam que Deus vai nascer e os que acreditam que Deus já está morto.&lt;br /&gt;Natal para os que renovam a esperança num Deus menino e os que já só têm fé num Deus velhinho. O Natal dos sem abrigo da caridade alheia, do afago próximo, do aceno longínquo. Natal de &lt;em&gt;se a carta chegar a tempo&lt;/em&gt;, Natal com saudades de casa e esperanças de sair para fora de casa. Natal em que a dor dói mais por ser Natal.&lt;br /&gt;Natal para os que recusam o mistério de um Deus divino por ser crime haver Deus e este mundo paganizado. Natal de um ano de horror de um demónio impune.&lt;br /&gt;Natal sem Deus, para além de qualquer Deus.&lt;br /&gt;Natal para os que sofrem a dor alheia, para os indiferentes com a própria dor.&lt;br /&gt;É Natal. Natal para os que se sentam silenciosos entre a sua família e nos intervalos da sua ruidosa indiferença, porque há jantar. Natal para os que já são avós dos que sempre festejariam ruidosamente o Natal, mesmo que não houvesse jantar.&lt;br /&gt;Natal com árvore, com presépio, Natal sem uma flor sequer, uma luz.&lt;br /&gt;Natal para os que se escondem em silêncio nos intervalos das famílias alheias. Natal dos separadas, dos que já não conseguem ninguém. Natal para os filhos de pai e de mãe e de padrasto e de recém-chegado, Natal para os que repetem tantos Natais quantas as separações.&lt;br /&gt;Natal dos que já não acreditam que seja possível um homem separar-se mais.&lt;br /&gt;Natal carregado de surpresas, prendas, lembranças e guloseimas. Natal com Pai Natal. Natal de uma cornucópia doce de coisas tão boas, que eu já fui pequenino e soube que era assim, com sabor a açucar, o ser Natal.&lt;br /&gt;Natal para quem está de turno, de sentinela, de quarto de vela. Natal com uma garrafa de conhaque, Natal com lágrimas na hora de ser Natal, com a cara feia, Natal a dormir, Natal a olhar para o infinito de nada, Natal na janela, na amurada, no cubículo, na interminável rua. Natal de magoar a felicidade de ser Natal.&lt;br /&gt;Natal para os que foram e já não lembram os que ainda estão. Natal para os que evitam lembrar.&lt;br /&gt;Natal de jantar cedo e acabar tudo antes da hora mágica de mudar o dia.&lt;br /&gt;Natal da meia noite.&lt;br /&gt;Natal com os vizinhos solitários, os amigos despegados, Natal do &lt;em&gt;porque não&lt;/em&gt; pois &lt;em&gt;é Natal&lt;/em&gt;. Natal de um abraço que dura um dia, o dia de ser Natal.&lt;br /&gt;Natal de ter tido já todos os Natais em que é possível haver Natal, Natal com os meus, com os outros e com os dos outros. Natal a substituir Natal, Natal em vez de Natal.&lt;br /&gt;Natal a tomar de empréstimo, como uma fantasia barata, a máscara de um qualquer Natal.&lt;br /&gt;Ah! mas como no dia seguinte a terra amansa e parece domingo de manhã. As ruas estão sozinhas, pelos cafés esgravatam os que vivem sós e os que fazem de conta, por vergonha, que também tiveram Natal, os que não conseguiram fugir da ideia amarga de que há Natal.&lt;br /&gt;A todos, todos, incluindo os felizes, os de alma pura e sentimentos nobres, os que juntam em torno de si a simplicidade de uma vida que a vida não corrompeu, perpetuando o sorriso das crianças, aos que estão bem e riem e trocam prendas e mimos e beijos, aos que não conheço, aos que nunca me conhecerão, um Bom Natal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4241386528642211944?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4241386528642211944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4241386528642211944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/bom-natal.html' title='Bom Natal!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1111072727739432683</id><published>2008-12-13T10:23:00.004Z</published><updated>2008-12-13T10:36:14.691Z</updated><title type='text'>Chove chuva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordar e estar tudo a chover. Capacitar-se uma pessoa que vai ser difícil sair de casa sem razão. Horror! Antecipar os pés molhados, uma constipação, uma gripe, uma pneumonia, ficar, enfim, de cama muito tempo, com motivo. Maravilha! Viver na cabeça as duas estações e a preocupação de já não haver quatro. Ter a consciência social das alterações climáticas e sua causa. Ter a consciência individual de não apetecer preocupar com nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordar e ser sábado. Não ter necessariamente que trabalhar e ter obrigatoriamente que trabalhar. Talvez escrever. A chuva é amiga das ideias de interior, dos pensamentos recolhidos, dos mimos domésticos, do perdoar o mal do espírito pelos bem dos corpos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da minha janela vejo quem venha comprar o jornal, fustigado de vento, como se o mundo sem notícias tivesse perdido a capacidade de chover.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1111072727739432683?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1111072727739432683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1111072727739432683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/chove-chuva.html' title='Chove chuva'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5165207471269413359</id><published>2008-12-11T23:27:00.002Z</published><updated>2008-12-11T23:32:53.388Z</updated><title type='text'>Um sentimento na noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De novo na minha rua o ruído ritmado do carro do lixo. De tarde, em viagem, percebi que a greve tinha sido levantada, embora ameaçasse voltar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando era jovem, residia em Sintra, vivia noites de expectativa vigilante à espera de ouvir o ruído de água nos canos. O abastecimento era intermitente, os cortes de fornecimento frequentes e prolongados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me então como agora o sinto o ruído do regresso de uma coisa boa. Então um gorgorejar e era água, agora pancadas metálicas e secas e é o lixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há muitos modos de um homem se sentir pior. Este é apenas um deles.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5165207471269413359?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5165207471269413359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5165207471269413359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/um-sentimento-na-noite.html' title='Um sentimento na noite'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-9147409282436426606</id><published>2008-12-09T21:32:00.005Z</published><updated>2008-12-09T21:50:22.010Z</updated><title type='text'>Ir ao Nimas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi um repente. Acabado o jantar, ei-la, juvenil, a ideia de ir ao cinema. Ir sim, ao cinema aqui perto, como outrora se ia ao de bairro, a apressar o jantar para se chegar a horas. Estuguei o passo, um livro debaixo do braço que não tivera tempo de folhear sequer ao jantar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um pouco pitosga, bem menos do que no &lt;em&gt;ver ao perto&lt;/em&gt; - deliciosa expressão com que me entendi outro dia com a minha oftalmologista - foram ganhando dimensão e formato e sentido as letras que no &lt;em&gt;Nimas&lt;/em&gt; anunciavam o filme. Uma por uma, enfim a frase: «Remodelação».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fantástico título, o género de película que a minha alma descontente anda mesmo a precisar: Remodelação, isso mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só quando vi mesmo &lt;em&gt;em cima&lt;/em&gt; é que dei conta daquilo que, &lt;em&gt;vendo ao longe&lt;/em&gt;, a minha vista não alcançava: «reabre em 11.12». Um saco de cimento à porta semeava, porém, a dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pasmo de alegria. Ao menos reabre! Outro dia na Mexicana o empregado pareceu-me familiar. «Então lá se foi o nosso cinema!». Cruz na porta da Tabacaria! Morreu o Alves! Caramba! Pois era! Conhecia-o do &lt;em&gt;Quarteto&lt;/em&gt;. Do falecido Quarteto. O cinema onde não havia lugares marcados, mas onde se marcava presença. «Para a nossa geração foi um símbolo, senhor doutor». «Foi», respondi-lhe, com a anemia de sentimentos dos anos que passam: «um carioca fraco, faz favor».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-9147409282436426606?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9147409282436426606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9147409282436426606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/ir-ao-nimas.html' title='Ir ao Nimas'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-440728171461320765</id><published>2008-12-06T12:44:00.005Z</published><updated>2008-12-06T13:03:32.372Z</updated><title type='text'>Disse-mo um passarinho</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Talvez espante mas comprei, um após um, os quarenta e cinco volumes das Obras Completas do «Lénine», naquela impressão encadernada tirada pelas &lt;em&gt;Edições do Progresso&lt;/em&gt; na então União Soviética. Os meus na versão francesa com apresentação do entretanto amaldiçoado Roger Garaudy.&lt;br /&gt;Os últimos tomos são dedicados às cartas. Lembro-me, curiosamente, menos do teor de &lt;em&gt;O Estado e a Revolução&lt;/em&gt;, ou do &lt;em&gt;Que Fazer?&lt;/em&gt;, mas recordo-me das cartas que Vladimir Ilitch Oulianov escreveu à família, sobretudo a partir do seu exílio na Sibéria, aonde fazia chegar livros que encomendava, através da irmã, vindos por empréstimo domiciliário da Biblioteca da Ordem dos Advogados em Moscovo.&lt;br /&gt;Numa dessas cartas dava conta de um exercício mental, indispensável para a boa saúde do espírito: tal como na ginástica, nem sempre correr, nem sempre a passo, nem sempre em flexões, também para manter o intelecto em forma, ler, escrever, traduzir, rever, em suma, variar.&lt;br /&gt;Lembrei-me disto hoje que iniciei a tradução de um livro. Ao fim de cinco páginas sem dicionário, lendo a história como ninguém a lê, palavra após palavra, sentindo vontade de a ter escrito, aqui e além para revê-la, cheguei a casa desejoso de um pouco de ar puro, apetecendo uma sesta e com ela o nada fazer. Cruzei-me na vinda com um melro, luzidio, bicando laranjadamente, saltitando, espojando, esvoaçando. Descontadas as asas, estamos iguais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-440728171461320765?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/440728171461320765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/440728171461320765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/12/disse-mo-um-passarinho.html' title='Disse-mo um passarinho'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-975605377770540217</id><published>2008-11-30T01:30:00.003Z</published><updated>2008-11-30T01:39:11.225Z</updated><title type='text'>A contingência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quantas vezes acontece dizer-se e logo a seguir arrepender-se uma pessoa do que disse? Sucede o mesmo quando se escreve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apaguei ontem um &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;, como em tempos suprimi um &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;. Quem tiver notado, faça o favor de deixar o assunto em paz. Apagar é isto mesmo: não se destroem os efeitos, destrói-se, sim, a intenção com que foram causados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No final do filme &lt;em&gt;Reviver o passado em Brideshead&lt;/em&gt; é essa a questão crucificante, com que ele é confrontado: tendo passado, uma por uma, por todas as manifestações de bem-querer, responde no final à pergunta prática quando a saber-se ao que vem e o que pretende quando protesta pelo seu amor. O destino poderia ter querido que eu saisse  da sala antes da resposta. Qualquer que ela fosse, ser-me-ia insuportável vê-lo na contigência de chegar ao ponto de ter de responder.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-975605377770540217?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/975605377770540217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/975605377770540217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/11/contingncia.html' title='A contingência'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8270936039568210204</id><published>2008-11-29T17:58:00.004Z</published><updated>2008-11-29T18:02:39.832Z</updated><title type='text'>Uma noite de cinema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não pude estar porque tive de estar onde não contava ter de estar. E depois não cheguei a estar onde era para ter estado. Tudo visto, não pude estar nem onde deveria ter estado, nem onde nem deveria ter chegado a estar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em resumo, e para o caso de isto ser difícil, encontramo-nos todos tão perplexos, como no cinema, onde cada um vai ver o seu filme e o acaso do encontro dita, no eco do &lt;em&gt;foyer&lt;/em&gt;, a supresa do olha quem. Depois, é só uma sala escura e a fantasia ocupar o lugar da lógica e tudo parecer tão real quanto possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8270936039568210204?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8270936039568210204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8270936039568210204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/11/uma-noite-de-cinema.html' title='Uma noite de cinema'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-9189436773141596896</id><published>2008-11-24T23:59:00.003Z</published><updated>2008-11-25T07:04:30.577Z</updated><title type='text'>O direito à vida</title><content type='html'>Quando em vez de se viver se lê e se vive a vida através da escrita, há o risco de confundirmos o sucedido com o relatado e os leitores trocarem o ocorrido com o relatado. Neste jogo de espelhos, quanto mais se ficciona mais convicção de verosimilhança se transmite. Depois, há um dia em que o autor exige ao seu público que lhe aceite um desmentido. Impossível. Atingiu então o momento em que se tornou escritor. O direito à sua identidade perdeu-se em cada uma das páginas lidas, em cada um dos livros escritos. Passou a ser o melhor intérprete da sua personagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-9189436773141596896?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9189436773141596896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9189436773141596896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/11/o-direito-vida.html' title='O direito à vida'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3644157174450141211</id><published>2008-11-23T09:24:00.001Z</published><updated>2008-11-23T09:26:56.238Z</updated><title type='text'>O gritar aflito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já a ventoinha fazia &lt;em&gt;cuá cuá&lt;/em&gt;, num gritar aflito que anunciava o seu fim. Com a morte iminente daquilo que o refrigerava, sobreaquecido, já só funcionando intermitentemente, o velho computador chegava ao fim dos seus dias. O mundo amável  que dera a luz, com a generosidade que só as almas puras em si transportam, corria o risco de interromper-se. Foi então que chegou aquele que o iria substituir. Novo, belíssimo, potente, dir-se-ia que, ao desligar-se da rede, a velha máquina sorria. Multiplicara em actos o seu amor pelos outros, a sua ânsia de viver ao dar vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3644157174450141211?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3644157174450141211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3644157174450141211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/11/o-gritar-aflito.html' title='O gritar aflito'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6773128476902419035</id><published>2008-11-21T23:59:00.004Z</published><updated>2008-11-22T08:09:12.653Z</updated><title type='text'>A pedra filosofal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tudo é relativo quando o homem promete. Não prometas nunca! Espera que estejas em condições de a vida te proporcionar a oportunidade. Aguarda por aquele momento em que possas dizer &lt;em&gt;consegui&lt;/em&gt;. Não cries expectativas, não faças os olhos dos outros seguirem-te à espera. Sê honesto para com as possibilidades de falhares. Trabalha no interior de ti essa batalha de sentimentos de quem constrói destruindo-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia em que a realidade enfim surgir, fruto do teu esforço minudente ou do grandioso acaso das circunstâncias, perceberás então. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Guardarás nesse instante dentro de ti a honra de teres honrado. Mas só isso, porque é esse o momento em que o ouro se transforma em ferro. A alquimia da criação é precisamente esta transmutação no absurdo da tua condição fazedora, um Sísifo que esperasse cair ele desta vez e não a pedra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6773128476902419035?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6773128476902419035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6773128476902419035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/11/pedra-filosofal.html' title='A pedra filosofal'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-342044239307217690</id><published>2008-11-18T16:59:00.004Z</published><updated>2008-11-18T18:50:51.772Z</updated><title type='text'>O improvável leitor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De súbito alguém nos diz algo que nos revela que lê o que escrevemos. Estranho embaraço. E no entanto quem escreve fá-lo para ser lido. Quem escreve fantasia muitas vezes um leitor e dá consigo a escrever como se escrevesse uma carta. Um post é uma carta aberta a um meu caro leitor privado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há leitores improváveis, que não imaginaríamos que nos pudessem ler. Quando um desses soergue o dedo, por mais discreto que seja, há um sentimento boquiaberto que nos invade a alma atónita. E depois, na vez seguinte, quando o papel em branco nos espera, se nos lembramos dele?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o que se está a passar agora. Encontrei-o, ao meu improvável leitor, num restaurante, pela hora do almoço. Deu-me a palavra de passe para que eu o identificasse, gabando a minha actualizada fotografia. Respondi-lhe dizendo que estou na idade em que já preciso de retocar a imagem, sobretudo quando pareço mais novo. Tenho-o agora aqui comigo, por cima do meu ombro a ler-me em cada linha. Acho que ele vai gostar de se ler aqui. Boa noite, amigo! Uma noite descansada! Prometo escrever pouco. Encontramo-nos amanhã neste local. A esta hora ou um pouco depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-342044239307217690?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/342044239307217690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/342044239307217690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/11/o-improvvel-leitor.html' title='O improvável leitor'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3900485415134201580</id><published>2008-10-17T23:36:00.003+01:00</published><updated>2008-10-17T23:46:41.831+01:00</updated><title type='text'>Eu, o outro, e ele</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que é a verdade do nosso ser? Às vezes a vida faz-nos pensar nisso, outras vezes descobre-se isso vendo a vida dos outros. Hoje foi por causa de &lt;em&gt;o outro que era eu&lt;/em&gt;, que é assim que se chama um livro do Ruben A. e é assim que eu o sinto cada vez que me abeiro de um livro seu. Consegui ler mais umas folhas de &lt;em&gt;O Mundo À Minha Procura&lt;/em&gt;, a auto-biografia. Comecei pelo volume segundo, talvez pela ideia que só vale a pena conhecer o que é quando passou a fase de estar a ser. Dei com ele a «lutar contra ser peludo, mal saibrado por uma natureza em que decerto havia muito mimo», ele «sempre extrovertido, animado, dador do sangue que me corria na alma, cometendo indiscrições». Vim aqui escrever isso e reler, reler para não estropiar o dito pelo modo de dizer. Solene, apesar de duas vezes ter escrito a palavra «ele». &lt;em&gt;Não se diz «ele», jab&lt;/em&gt;. Eu sei. Foi só desta vez. Estou com preguiça de emendar. Esta sim, a preguiça, é a natureza verdadeiramente actual do meu ser. Talvez por doer ainda um pouco a cabeça. Figuradamente, claro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3900485415134201580?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3900485415134201580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3900485415134201580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/10/eu-o-outro-e-ele.html' title='Eu, o outro, e ele'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6395457088094296853</id><published>2008-10-15T13:20:00.002+01:00</published><updated>2008-10-15T13:38:26.629+01:00</updated><title type='text'>A arte de escrever</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De súbito é um sentimento de pudor que toma conta de nós. Tal como os que fazem profissão de fé em nunca receberem uma condecoração, os que renegam o dito complacente e antecipadamente legitimador &lt;em&gt;desta água nunca beberei&lt;/em&gt;. Trata-se de uma exigência que não vem dos alçapões da ética, onde crocodilos maldosos se passeiam impunes ao lado de gazelas duvidosas, é antes uma imposição da estética, o horror ao feio, que desdenta, ridiculariza, apouca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preso nos torvelinho das palavras, enredado nos sentimentos que as reclamam e nas confusões que elas geram, desconexo na morfologia e incapaz nas concordâncias, há um homem que no meio da livraria da vida, na labiríntica biblioteca de Babel da sua existência, decide num gesto irreflectido o seu destino. Indiferentes, no vai-vém dos escaparates e das montras, entre sobras e reposições, esgotados uns na síncope do fora do mercado, muitos outros estirando-se em reimpressões como um gato molemente espreguiçando a sua melancolia, todos esses que são o mundo de papel de um viver imaginário, assistem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez um bocejo antológico pontue a indiferença livresca dos compêndios necessários ante tudo isso, ou o ruminar impaciente de um romance denso, trágico e consagrado ou, quem sabe, uma lágrima narrativa de um conto avulso, dor de columbina poética ante o seu arlequim prosaico, talvez assim se assinale a morte ficcional do que poderia ter sido mais um na arte de escrever.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6395457088094296853?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6395457088094296853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6395457088094296853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/10/arte-de-escrever.html' title='A arte de escrever'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1865543505902082781</id><published>2008-10-03T17:05:00.006+01:00</published><updated>2008-10-03T17:20:13.697+01:00</updated><title type='text'>O papagaio e as gralhas!</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;A princípio irritei-me por fazer tantos erros ao escrever. Pensei que era dislexia, deficiência que sempre tem algum &lt;em&gt;chic&lt;/em&gt;. Depois, tentaram demonstrar-me que era excesso de inteligência. Estúpido, desconfiei. Hoje, ante o enésimo tropeção nas canelas da ortografia, enfureci-me, a ponto de mandar a escrita às urtigas. Pela tarde, frio, vingativo, mau, eis a decisão final. Mudo de estilo! Por isso, aqui vai esta nova forma de exprimir com correcção e adjuvante onomatopeica: &lt;em&gt;joolpoo3e84edhdjede3´+d3«i3dyuededkoy45wskp+ddopd3lop.çºç+piiyerwgkp++09887 &lt;/em&gt;e assim sucessivamente! E que ninguém se atreva a dizer que &lt;em&gt;dyuededkoy&lt;/em&gt; não se escreve assim, que eu mordo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1865543505902082781?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1865543505902082781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1865543505902082781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/10/o-papagaio-e-as-gralhas.html' title='O papagaio e as gralhas!'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1189504277774658959</id><published>2008-08-31T20:22:00.004+01:00</published><updated>2008-08-31T20:35:20.540+01:00</updated><title type='text'>Papel de aranha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uma fotografia minha, que está no blog mãe, do qual surgem todos os muitos blogs, qual mãe de água da minha escrita no éter, em que dizem ver-me com um ar caduco e triste, e velho e derrotado, zangado com o mundo e de mim farto. Mas que querem, se eu já fiz o exercício mental de me ver com outros olhos e é assim que me revejo sempre?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há uma fotografia minha que sou eu por mim fotografado. Podia estar mais novo e talvez esteja, mais alegre e rio-me muitas vezes, menos raivoso com a vida, mas eu adoro viver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um fotógrafo da minha pessoa que é mestre no &lt;em&gt;a la minute&lt;/em&gt; da existência. Com um caixote empinado num tripé, uma manga preta onde enfio a cabeça qual cegonha de olho intrigado, o balde ao lado para a revelação do negativo, sou o olha o passarinho da minha visão das coisas e da minha própria pessoa nelas ensarilhado. Aos domingos fazemos um instantâneo. Temos um álbum de folhas pretas, com separadores em papel de aranha, cada foto pregada com cantoneiras, como nos tempos em que eu era miúdo e cada imagem de mim era uma forma de todos nos rirmos em Kodak da vida existente e da que imaginávamos existir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1189504277774658959?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1189504277774658959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1189504277774658959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/08/papel-de-aranha.html' title='Papel de aranha'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7743203551886377201</id><published>2008-08-24T21:36:00.004+01:00</published><updated>2008-08-25T07:55:57.357+01:00</updated><title type='text'>Uma grande alhada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De repente descobre-se que não há cebolas para um refogado que anime as pálidas lulinhas. O problema é que já está azeite na panela e alho a começar a fritar o que poderia ser um refogado. Sem cebola aumenta-se no alho, que há résteas sobejantes. Assim como há quem coma raia alhada, aplique-se às lulinhas a mesma regra, igual princípio. Para iludir, talvez dois cubos de um caldo culinário, daqueles cubos viscosos de cor ambígua, que nunca sei se são de marisco se para marisco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como medida de prevenção tempera-se com vinho, não da zurrapa para fins gastronómicos embalada em tetra-pack, sim do vinho de mesa, a fina e decantada essência vinícola, que tudo tinge de um manto tinto pascal e perfuma os ares de uma essência odorífera, preparando a alma do palato para o santo sacrifício da mesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sento-me com veneração, um pão esponjoso a apoiar a prova com adjuvantes sopinhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi à hora do almoço. Ficou uma dose para um jantar. A refrigeração faz milagres. Ensopadinhas no insólito molho, marcham como lagostas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7743203551886377201?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7743203551886377201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7743203551886377201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/08/uma-grande-alhada.html' title='Uma grande alhada'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-2734610082901915626</id><published>2008-08-13T23:59:00.001+01:00</published><updated>2008-08-14T09:36:48.000+01:00</updated><title type='text'>A vida vivida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tal como o senhor Palomar, descobri que a vida não é cronológica mas tem uma lógica decorrente de uma arquitectura própria. Ante o novo que nos surpreende, descobre-se que toda a vida vivida surge agora diferente. Nisso os mortos, coitados deles, estão em desvantagem: o mundo que passou fica irremediavelmente fixo, como numa cena de um filme com a Vanessa Redgrave, imóvel numa interminável pausa, o encontro de duas mulheres de que uma abdicou do homem com quem a outra não casaria sequer, a dor do sacrifício inútil por um amor que é a beleza esplendorosa dos sentimentos, para além das utilidades.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-2734610082901915626?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2734610082901915626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2734610082901915626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/08/vida-vivida.html' title='A vida vivida'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4385343022662634177</id><published>2008-07-24T23:59:00.001+01:00</published><updated>2008-07-25T01:33:43.754+01:00</updated><title type='text'>Um homem e o seu Destino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Voltei hoje ali. Há quantos anos eu comprava ali livros que ficaram sei lá onde ou quero lá saber onde, que tanto faz. Livros que terei lido, livros que terei tido vontade de ler, livros que em caso algum viria a ler.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ali estava à minha espera, o livreiro de alfarrábios. Só que desta vez, restava dele uma fotografia. Reconheci-o, igual, substituído por um filho, a manter a porta aberta, em última homenagem a um pai que gostava de livros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei lá hoje o que sucederá ao que dali trouxe e esforço-me por não querer saber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Subi a rua, em gratidão interior ao Destino que me proporcionou ir ali. Cruzei-me com ele, meio desperto, quase, atrasado, a perder o encontro. Fomos ambos remoer um momento em que havia um livreiro vivo e um leitor a viver do que lia. Hoje voltei ali e uma fotografia do que fui seguiu comigo, castigando-me, contristado, a memória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4385343022662634177?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4385343022662634177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4385343022662634177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/07/um-homem-e-o-seu-destino.html' title='Um homem e o seu Destino'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3573984288868842567</id><published>2008-07-04T23:55:00.002+01:00</published><updated>2008-07-06T13:44:28.398+01:00</updated><title type='text'>Espaço de memória</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cheguei ontem aqui pela noite carregado de tralha para montar a exposição. Os livros da minha biblioteca já cá estão em parte, passarei o fim-de-semana a arrumá-los, os documentos vão chegando. A partir daqui é só ir aumentando o espólio, agradecer a quem quiser ter a generosidade de contribuir. O tema mais imediato, a guerra secreta em Portugal entre 1939-1945.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será um espaço de memória, sedeado em Faro. Inaugura-se a 12, pelas 17:30  com uma exposição sobre o Ian Fleming e uma exposição de pintura de Sonia Cabañas Cortés, uma mexicana radicada no Algarve. A tipografia entrega-me os exemplares do livro que escrevi sobre o autor do &lt;em&gt;007&lt;/em&gt; precisamente na véspera&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Oxalá não falhem na hora. Domingo pela noite estarei a rever os painéis do que será exposto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No mais, será um local dedicado à cultura, uma livraria, o que puder ser para que a humanidade floresça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para a Liliana, minha camarada de empreendimento, é uma forma de regressar às raízes, para mim que sou um apátrida, uma forma de ficcionar que as deixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3573984288868842567?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3573984288868842567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3573984288868842567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/07/espao-de-memria.html' title='Espaço de memória'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-19122681639784558</id><published>2008-06-20T23:58:00.001+01:00</published><updated>2008-06-21T16:48:17.711+01:00</updated><title type='text'>A ordem inversa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu deverei ter escrito algures que há livros que começo a ler do fim para o princípio. E talvez o tenha dito com tal veemência que, com um bonito sorriso de amabilidade, me lembraram que o fazia. É claro que eu, por ser muito trapalhão a escrever e os meus textos estarem sempre infestados de gralhas, já comecei a seguir o conselho de lê-los, em revisão, da direita para a esquerda, de modo a não me deixar enfeitiçar pelo sentido do escrito e ter diante dos olhos apenas palavras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora como no Japão tradicional os livros se liam de trás para a frente, da direita para a esquerda e de baixo para cima, um dia destes e verei uns olhos doces de amêndoa, o livro tombado e dos mais esquecido, a meio de terminar o princípio do livro e a meio de começar a primeira linha da página. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-19122681639784558?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/19122681639784558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/19122681639784558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/06/ordem-inversa.html' title='A ordem inversa'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4873708742744940150</id><published>2008-06-18T23:51:00.000+01:00</published><updated>2008-06-19T08:04:32.689+01:00</updated><title type='text'>Contra factos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi um anúncio a uma peça de teatro em que se dizia que «a história é secundária». No fundo, é isto mesmo, na sua simplicidade, a vida de cada um: variada, diversa, com altos e baixos, bons e maus momentos, há um momento em que se conclui que, afinal, a história do que se viveu é secundária. Depois, há quem escreva biografias carregadas de factos, como se essa sucessão de episódios tivesse sido viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4873708742744940150?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4873708742744940150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4873708742744940150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/06/contra-factos.html' title='Contra factos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-503849156384011776</id><published>2008-06-14T02:41:00.004+01:00</published><updated>2008-06-14T03:00:12.146+01:00</updated><title type='text'>Uma questão de desajustamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há um momento em que uma pessoa se farta das calças de ganga. Não por elas serem nos burgueses uma espécie de travestismo operário; talvez porque se tornam na preguiça mental da roupa ligeira dos dias em que a sociedade não espera ver-nos encasacados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há uma idade em que uma pessoa olha para umas calças de sarja e se pergunta «e porque não?».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um instante em que nos dizem que terão de acertar bainhas e nesse caso não antes de quarta-feira, porque entre aquels calças novas e o nosso velho corpo há uma questão de ajustamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o instante do desapontamento, a cobra impedida de mudar a própria pele. Dura o tempo em que se pensa nisso, a tristeza a perseguir-nos em cada esquina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aconteceu numa loja do Colombo. Comprar roupa nova ajuda a melhorar o espírito, quando possível, naturalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-503849156384011776?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/503849156384011776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/503849156384011776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/06/uma-questo-de-desajustamento.html' title='Uma questão de desajustamento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6331401640921326640</id><published>2008-06-13T09:31:00.002+01:00</published><updated>2008-06-13T18:06:21.787+01:00</updated><title type='text'>Dias assim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há dias em que se acorda com a cabeça a estalar de dor, depois de uma noite pessimamente dormida e se vê na rua o sol e não se pode ir passear, e livros a cercar a cama e não há tempo para os ler ou folhear sequer, dias em que nos atormentam as obrigações atrasadas e os deveres que nos esperam, dias de São Remorso pelo que deixámos para trás e que teria sido bom ter vivido, dias de má consciência porque nunca há tempo para visitar sequer a nossa mãe, dias em que os amigos só não se zangam mais porque são tão poucos os amigos quando se vive isolado, dias de filhos entretidos em vez de vividos, dias em que já não se sabe mais onde tirar tempo para um momento de nós, dias em que abre o guichet da vida e ei-la, a longa fila de utentes da nossa pessoa a reclamarem, zangados connosco e consigo desesperados.&lt;br /&gt;Há dias em que o pouco que se tem parece mal, como a história da camisa lavada do pobre, cercado um homem com a eterna lamúria dos que se viciaram a mostrarem ao mundo as chagas das suas insuficiências, dos seus desamparos.&lt;br /&gt;Há dias assim.&lt;br /&gt;Para esses dias, em que ao desejo de morrer sucede a vontade de matar, em que entre o homem e a vida surge a sombra perigosa do já não se aguentar mais, eis a seguinte frase do Vergílio Ferreira, tirada do seu «Diário Inédito», que foi o último livro que consegui ler, só por ser pequeno número de folhas: «Bons deuses! E como justificais vós as trovoadas, se não houve, num dia infeliz de quadra e uva, meia dúzia de raios disponíveis para escavar toda esta malta e &lt;em&gt;in loco&lt;/em&gt;?»&lt;br /&gt;A frase foi escrita na Nazaré em 13 de Setembro de 1948, a pretexto de uns jogos florais da Curia, por sobre a rude materialidade do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6331401640921326640?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6331401640921326640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6331401640921326640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/06/dias-assim.html' title='Dias assim'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1807953351395464967</id><published>2008-06-06T23:54:00.003+01:00</published><updated>2008-06-07T16:22:07.301+01:00</updated><title type='text'>A vida atrasada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E eu que sou tremendamente supersticioso e que, se não consigo escrever à terceira, de modo firme e em perfeita horizontalidade, a primeira linha de uma carta - quando escrevo cartas à mão - e que vejo sinais do destino em pequenos acontecimentos banais, como neste, onde está contida uma mensagem dos deuses a dizerem, amigos e com o meu futuro preocupados: «não escrevas»?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora esse eu mesmo vinha, noite fora, a guiar sozinho em estrada deserta e, de súbito, «olha a Lídia Jorge!» numa entrevista na Antena 2 a dizer coisas de que nada retive se não que falava de contos que se transformavam em romances!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele momento, na estação ao lado, a RFM, a estação oficial do &lt;em&gt;Rock in Rio&lt;/em&gt;, passavam os &lt;em&gt;Offspring&lt;/em&gt;, que são bem melhor trabalhados em estúdio do que ali na crueza de um «ao vivo»: Num apontamento de reportagem, um puto dizia a uma bem disposta entrevistadora «&lt;em&gt;pessoal, não tenham medo deste país que há aqui energia para dar e vender!&lt;/em&gt;».&lt;br /&gt;Cá está: acordei cedo e vou começar a trabalhar, cheio de energia: desta vez ainda não é num romance, é a finalizar um pequeno livro, neste computador, não vá a primeira linha sair-me torta e eu começar a manhã logo a desanimar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah! Outra coisa. Estou a escrever sábado de manhã, ainda não são nove mas vou colocar data de ontem, porque foi ontem que eu vivi o que aqui está. Nisto do guardar para amanhã é que, infelizmente, não sou nada supersticioso: tenho a vida toda atrasada e o pessoal a refilar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1807953351395464967?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1807953351395464967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1807953351395464967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/06/vida-atrasada.html' title='A vida atrasada'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1150669257156239132</id><published>2008-05-24T23:55:00.003+01:00</published><updated>2008-05-25T07:49:23.465+01:00</updated><title type='text'>O vislumbre,</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Consegui ainda dar um salto, como se diz - expressão que torna o ronceiro em pulador - a uma livraria e trouxe de lá, imagine-se porquê, um livro com fragmentos dos pré-socráticos, que valem mais que muitos dos tratados integrais revistos e aumentados de muita filosofia contemporânea. «&lt;em&gt;O vislumbre das coisas ocultas são as que se mostram&lt;/em&gt;», disse Anaxágoras, um jónio, amigo de Péricles, que foi julgado por ter dito que o Sol era uma pedra incandescente e não um Deus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li o excerto, curto e por isso extenso, e a saber tanta gente dissimulada, que velhacamente nos tributa sorrisos, vi nesse sorriso, em vislumbre, a expressão contida do como se riem ocultamente à gargalhada da nossa triste figura, crédulos ingénuos, pela lisonja atraídos e aos elogios rendidos.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1150669257156239132?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1150669257156239132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1150669257156239132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/05/o-vislumbre.html' title='O vislumbre,'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-919122509948959172</id><published>2008-05-22T22:13:00.003+01:00</published><updated>2008-05-22T22:18:32.364+01:00</updated><title type='text'>Nascida no Canadá</title><content type='html'>Hoje Lisboa era um cidade semi-deserta e chuviscosa. Consegui arranjar um lugar para arrumar o carro e outro para me arrumar a mim. Como escrevi hoje sobre coisas do Brasil, houve quem me levasse a sério e perguntasse: «então por cá?». Eu respondi: «vim só comer uma feijoada!». Intrigado o meu interlocutor, já sem saber se os transportes aéreos inter-continentais já são assim tão rápidos, ainda replicou: «com feijão preto?». Mas eu atalhei logo para não gerar equívocos: «não, com camarão!».&lt;br /&gt;E cá estou em casa, agarrado à Vivienne Michel, que no capítulo décimo vai ser atacada por dois rufiões. A vantagem de se ler à força é esta, já sabemos as histórias de cor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-919122509948959172?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/919122509948959172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/919122509948959172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/05/nascida-no-canad.html' title='Nascida no Canadá'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8228321372046872415</id><published>2008-05-15T23:58:00.001+01:00</published><updated>2008-05-16T15:59:14.763+01:00</updated><title type='text'>O atrasado</title><content type='html'>Este é mais um daqueles posts que eu escrevo num dia e ante-dato, talvez porque o tenha pensado ontem, enquanto dormia o pouco que consigo dormir, ou talvez por ficar assim com a tranquilidade de ter a escrita em dia, um texto diário, como os que rezam antes de dormir.&lt;br /&gt;Não sei qual a razão, mas quando assim sucede ponho sempre as 23 horas e 50 e tal minutos, a rondar a meia-noite. Deve ser a minha moralidade a ditar-me que, já que minto no dia, que não me afaste muito da verdade, ao menos nas horas.&lt;br /&gt;Pois hoje de tarde, por ter da andar em mudanças de livros, em trabalho braçal, dei de caras com um Almanaque Bretrand, do ano de 1949, aquele em que nasci.&lt;br /&gt;E - digam-me que eu não tenho de ser mesmo supersticioso ! - eis na página 170 um daqueles provérbios inocentes, pois na altura o «Almanaque», que comemorava aliás 50 anos de vida, era um repositório de inocências virtuosas e de panegíricos moderados: «o homem trabalhador atrasa o relógio para alongar o tempo; o ocioso aborrecido, por sua vez, adianta-o, para o encurtar».&lt;br /&gt;Verdade como punhos! São neste momento 15:49 do dia 16. Boa tarde, minha gente. Vou-me alongar um pouco, que isto de dormir pouco dá sono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8228321372046872415?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8228321372046872415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8228321372046872415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/05/o-atrasado.html' title='O atrasado'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-934116164023411080</id><published>2008-05-11T23:58:00.000+01:00</published><updated>2008-05-12T08:28:10.594+01:00</updated><title type='text'>O teatro lírico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há dias em que uma pessoa se pergunta se vale realmente a pena vir aqui dar conta de si, dos seus pensamentos, dos sentimentos, das opiniões e dos presságios, quando não daqueles personagens fictícios num mundo de seres reais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A dúvida não tem a ver com o ser lido, porque há por vezes alegria no beco do fala-só; a dúvida nasce precisamente do modo como se é lido. É que neste teatro lírico de heróis, mestres cantores da epopeia dos seus feitos ou dolentes vates dos seus funestos desamores, as fantasias podem tornar-se burlescas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-934116164023411080?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/934116164023411080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/934116164023411080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/05/o-teatro-lrico.html' title='O teatro lírico'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6420719517831977291</id><published>2008-05-09T23:59:00.000+01:00</published><updated>2008-05-10T14:49:38.285+01:00</updated><title type='text'>Lisboa à noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta noite sonhei que tinha ido passear de carro pela Lisboa nocturna, das gatas pingadas e dos cães de fila. Entre carros do lixo e lixo dentro de carros, havia uma cidade em que o vício já nem era feérico. Creio que a meio do sonho, parado num semáforo, dei comigo a pensar que o real cria melhores ilusões. Acordei então. Creio que nesse momento a vida sonhada ria-se de mim, deitando-me a língua de fora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6420719517831977291?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6420719517831977291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6420719517831977291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/05/lisboa-noite.html' title='Lisboa à noite'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-292127893133213823</id><published>2008-04-30T09:19:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T09:20:51.515+01:00</updated><title type='text'>Escrita automática</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A blogo-esfera é um espaço aberto de diálogo e de exposição, variado como a vida. Por vezes jornal íntimo, outras vezes frio discurso analítico, quantas vezes panfleto, confissão, carta aberta, bilhete críptico com destinatário certo.&lt;br /&gt;Ao longo do tempo fui-me desdobrando em vários blogs, cada um adaptado a uma faceta das preocupações, tudo confluindo aqui numa frase, escolhida por ser chamariz de leitura, com base na ideia de que há leitores para o que vem a seguir.&lt;br /&gt;Tive quem me aconselhasse a reduzir tudo a um blog único e escrever apenas nele. Fazendo-o, liquidaria os espaços que dedico a alguns temas a algumas escritoras. Não o fiz.&lt;br /&gt;Depois é a questão do que se diz. Se não me escondo atrás de um pseudónimo, como tantos, fico exposto a que tudo o que escrevo possa ser tomado com real, tudo o que pretendo seja a expressão da verdade passe por exagero ou ficção.&lt;br /&gt;Finalmente, restam as pessoas que se conhecem, que gostam de nós, que se zangam, que se vão, que nós deixamos.&lt;br /&gt;Neste labirinto de sentimentos e de instantes, algo prossegue, como a serpente rastejante que se enrosca, assassina, no nosso corpo, imperceptível o sibilante e imperceptível surgir: é o escrever, a escrita imparável, obsessiva, automática já.&lt;br /&gt;De súbito damos conta e ela substituiu a própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-292127893133213823?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/292127893133213823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/292127893133213823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/04/escrita-automtica.html' title='Escrita automática'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8056926638701325287</id><published>2008-04-27T23:59:00.001+01:00</published><updated>2008-04-28T00:28:14.314+01:00</updated><title type='text'>Avançando o momento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje disseram-me que eu não parecia ter cinquenta e nove anos, mas sim bastantes mais. Tenho vindo a pensar nisso esta noite quente, talvez porque escrevi um livro sobre o Maquiavel, que morreu aos cinquenta e oito e estou a escrever outro sobre o Ian Fleming, que morreu aos cinquenta e seis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez, por isso, uma vez mais, vou atrasar a hora deste post: estou a escrevê-lo aos onze minutos do dia 28 de Abril, vou afixá-lo como tendo sido escrito às 23:59 do dia 27.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ganho doze minutos de avanço sobre a indignidade que é uma pessoa humilhar-se com isto. E iludo-me sobretudo, que é uma forma de se ganhar tempo até encontrar coragem para perguntar no espelho, olhos nos olhos, como foi possível isto ter acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8056926638701325287?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8056926638701325287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8056926638701325287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/04/avanando-o-momento.html' title='Avançando o momento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-2850403983020570144</id><published>2008-04-26T23:55:00.003+01:00</published><updated>2008-04-26T23:59:51.071+01:00</updated><title type='text'>Noite e dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando uma pessoa vem para um sítio onde há sol e passa o dia à sombra, quando está num lugar de veraneio e passa o dia trancado a trabalhar, quando ao esgotar-se o dia olha e acha que ficou o mesmo que estava antes por fazer sem estar feito, devia tirar férias de si. Desdobrava-se e metia-se na praia a olhar para ontem, enquanto o resto de si ficava em casa à espera que fosse amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-2850403983020570144?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2850403983020570144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2850403983020570144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/04/noite-e-dia.html' title='Noite e dia'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4582682646872183982</id><published>2008-04-21T23:58:00.000+01:00</published><updated>2008-04-22T15:27:43.955+01:00</updated><title type='text'>Um livro</title><content type='html'>Um homem que se afunda num livro tem sobre todos os que o cercam uma vantagem: escolhe o mundo em que quer viver. No mais, é só uma questão de ir virando as folhas até que a Natureza ajude com a sonolência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4582682646872183982?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4582682646872183982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4582682646872183982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/04/um-livro.html' title='Um livro'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8821967890930898982</id><published>2008-04-20T09:07:00.003+01:00</published><updated>2008-04-20T09:11:07.254+01:00</updated><title type='text'>Personagens irreais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À sensação de se estar fora, em viagem, e ter saído de um local de onde já se tinha partido, junta-se o desejo preocupado do regresso e na véspera de isso suceder, já se ter chegado. Aqui faz frio e os dias esgotam-se depressa. Além disso, está-se num quarto de hotel e as ruas são túneis de metropolitano. Vivo personagens irreais, como os amores de Vivienne Michel a desaguarem num motel sórdido no Estado de Nova York. Tenho que me entender com tudo isto até ao dia 5 de Maio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8821967890930898982?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8821967890930898982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8821967890930898982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/04/personagens-irreais.html' title='Personagens irreais'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8676543626712057380</id><published>2008-04-16T21:31:00.004+01:00</published><updated>2008-04-16T21:43:57.929+01:00</updated><title type='text'>Bem vindo aqui</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Encontrei-o na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian. Sorriu-me e por entre as várias mesas murmurou, para que lhe lesse os lábios: «foi meu professor». A caminho da estante dos dicionários, por causa de palavras em italiano antigo que se podem reconstituir através do latim, fui falar-lhe. Tirara o curso de Direito, mas orientara-se para a estética, trabalhava agora num dissertação sobre o inútil na Arte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentando encontrar um território comum e como se a justificar-me por estar ali, disse-lhe que havia começado «em tempos» uma biografia da Sonia Delaunay. «E há também o marido», respondeu-me. «Sim, o Robert», respondi-lhe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na hora de ir, veio apertar-me a mão. Disse-me algo como um «bem vindo aqui», semelhante a um «ainda bem que não se perdeu por lá».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta madrugada lá terei mais uma noitada de escritório, a dormir três horas, para conseguir não falhar naquilo em que os outros dependem de mim. Ele segue como se no salva-vidas, a esperança de que seja possível a salvação neste mundo, se não através do justo, pelo menos através do belo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8676543626712057380?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8676543626712057380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8676543626712057380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/04/bem-vindo-aqui.html' title='Bem vindo aqui'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8387591734227252406</id><published>2008-03-28T22:15:00.003Z</published><updated>2008-03-28T22:23:43.222Z</updated><title type='text'>O romance</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de ter escrito um livro de contos, debato-me com a ideia de voltar a escrever um outro livro de contos, por não ser capaz de, em ficção, escrever mais do que livros de contos. «E porque não um romance?», perguntou em tempos o amável editor. Ainda por cima escrever romances, grandes romances porque espessos romances, é o que está a dar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta noite, cansado de nada escrever, a ideia dos contos a matraquear-me a cabeça, o pesadelo do romance impossível, descobri o problema, o não saber como se escreve um romance. Não que os não haja lido e li alguns poucos; sim, porque não entendi nunca como se redigem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi agora mesmo, ao tentar encontrar espaço para um livro antigo, de ensaios literários, que o António Quadros escreveu em 1964 e a que chamou «Crítica e Verdade», que me chegou a fórmula final. Falava ele do Vergílio Ferreira e diz que os seus romances são «filosofia no concreto e romance no abstracto».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora é só ser capaz de ter alguma coisa sentida no virtual que consiga dizer no real.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8387591734227252406?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8387591734227252406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8387591734227252406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/03/o-romance.html' title='O romance'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5196488902645711730</id><published>2008-03-26T21:31:00.004Z</published><updated>2008-03-26T22:00:15.360Z</updated><title type='text'>Vida de cão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No dia 10 de Junho de 1913 Wenceslau de Moraes, escreveu uma carta ao Presidente da República Portuguesa, pedindo a sua exoneração dos cargos de oficial de Marinha, de cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka, no Japão, desistindo da própria reforma de funcionário, por pretender fixar-se em Tokushima numa situação incompatível talvez mesmo com a sua condição de português.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha 59 anos de idade. Recomeçou a sua vida. Trocou a indumentária de ocidental pelo quimono, calçava uma modestíssimas &lt;em&gt;guettas&lt;/em&gt;, alimentava-se frugalmente, honrou o culto dos mortos e o ritual do chá. Em 26 de Junho de 1914 escrevia, atento observador da grandeza das pequenas coisas que «&lt;em&gt;o cão de Tokushima desconhece o uso de festas e carícias; se as recebe, por acaso, não sabe retribui-las; quer comer não quer festas&lt;/em&gt;».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abandonados pelos homens, serão por eles amados um dia, talvez, quando estes, tiverem perdido a fé na sua boa estrela e confiança nos outros homens, seus irmãos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5196488902645711730?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5196488902645711730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5196488902645711730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/03/vida-de-co.html' title='Vida de cão'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8762736689863026598</id><published>2008-02-23T18:36:00.004Z</published><updated>2008-02-23T18:40:40.335Z</updated><title type='text'>Variações em Inês</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Numa resposta de graciosa inteligência, Inês Pedrosa perguntada por um jornal quanto ao seu estado civil respondeu «variável». Com a conforto de me transfigurar de leitor a ser respondente vou procurá-la em tudo o que escreveu e sei que são vários livros. Faço assim quando gosto «invariavelmente».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8762736689863026598?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8762736689863026598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8762736689863026598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/02/variaes-em-ins.html' title='Variações em Inês'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1434337468557605368</id><published>2008-02-15T23:54:00.003Z</published><updated>2008-02-16T22:10:08.384Z</updated><title type='text'>O ritmo aconchegante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Carapaus, sim, carapaus mesmo, dois, grandes, frescos, grelhados, salada com pimentos e sem alface, batatas se quiser, talvez azeite, ajuda se for preciso, e cebola em rodelas, o sal tempera, vem à parte, como gostar. Vinho em jarro, beba tinto, ainda há e uma fatia de broa, a sopa não é de nabiças, não senhor, são nabos mesmo e a laranja não vem descascada. No final meu senhor são oito euros e mais dez cêntimos. A sua cara não é estranha, ficam dez, muito obrigado, talvez da televisão, ia jurar, não vai mais um cafézinho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez hoje ao jantar me tenha associado a qualquer mundo que julga conhecer e a que me julga pertencer inteiramente. Mas hoje, pelo meio dia e meia, sobrava-lhe aquele desconhecido que inesperadamente lhe apareceu, cansado e com vontade de almoçar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na mesa ao lado dois factores e um fiel de armazém comentavam umas iscas que se comiam numa tasca de galegos, de porco jurava um, de vaca insistia outro, pela alma do meu falecido pai se eu não me lembro, tanta vez que lá fui, entaladas num papo-seco, um copo de três, a vinte e cinco tostões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos quarenta cinco regressava, ressonando simplicidade, a angústia que a cabeça fabrica e o coração sofre a digerir-se beatífica, «o ritmo aconchegante do pouca-terra», rumo aqui, à noite insone, ao cérebro em eterno movimento, mudando agora de agulhagem pelas transvias do mundo que há para viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1434337468557605368?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1434337468557605368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1434337468557605368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/02/o-ritmo-aconchegante.html' title='O ritmo aconchegante'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8700059861746000743</id><published>2008-02-13T23:55:00.000Z</published><updated>2008-02-14T23:45:54.537Z</updated><title type='text'>Fazer de conta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O meu admirável mundo novo é andar com o computador atrás, como os que sacam da algibeira os cadernos Moleskine. Com uma diferença. Alguns desses fazem-no por petulância, porque na lojita aqui por debaixo de onde eu moro, ao lado da frutaria, há cadernos escolares a oitenta cêntimos, que servem muito bem, menos claro o «chic», para apontar o que eles anotam.&lt;br /&gt;O meu computador é diferente. Vale como instrumento de trabalho, é, como nos antigos operários, a mala das ferramentas, a chave inglesa, a de bocas e a de fendas, a torquez, a verruma, e o formão, a plaina, o nível e para a justa proporção de tudo, o esquadro, o fio-de-prumo, a régua em centímetros e polegadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que há também, a mítica mala de executivo, de dentro dela, já a cair em desuso, a indispensável calculadora científica, o filofax, o bloco-notas em papel amarelo e, é evidente, a edição europeia do Wall Street Journal. Nesse aspecto um &lt;em&gt;palmtop&lt;/em&gt; joga isso nas velharias do outro século.&lt;br /&gt;Mas não pensem é mal do meu computador! É através dele que eu chego ao ciber-espaço, e dele regresso, é dele que me abeiro quando quero companhia e dele que me escondo quando exijo respeito pela minha solidão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que às vezes, como ontem, pensei muito, li tanto e não escrevi nada. Uma coisa sucedeu, para além da via ferroviária que é agora parte da minha. Ele pesou-me o dia todo, um pouco no braço, pois é portátil, mais na consciência, porque, ao fim do dia, nem sabia o que tinha feito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevo hoje, dia 14, com data de ontem, só mesmo para criar a ilusão de que estive cá. Não engano ninguém, nem a mim próprio. É só mesmo para fazer de conta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8700059861746000743?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8700059861746000743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8700059861746000743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/02/fazer-de-conta.html' title='Fazer de conta'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7415840968292905925</id><published>2008-02-10T20:15:00.001Z</published><updated>2008-02-16T01:03:31.230Z</updated><title type='text'>Os maus momentos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A princípio as pessoas escreviam cartas, postais, por vezes telegramas. Manuscreviam, emendavam os erros, riscando as palavras, entrelinhando o que tinham esquecido, acrescentando um «&lt;em&gt;em tempo&lt;/em&gt;», um «&lt;em&gt;post-scriptum&lt;/em&gt;», para complementar uma ideia, rectificar uma expressão. Nesse tempo havia pessoas que passavam a limpo os rascunhos das suas cartas, as que copiavam minuciosamente tudo o que haviam escrito, para ficarem com memória. Era um tempo em que o aguardar pela resposta fazia parte do acto esperançoso de escrever. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, com a informática veio o tempo real, em que a resposta podia surgir segundos depois da escrita, como se a reclamar uma nova resposta. Com a &lt;em&gt;interne&lt;/em&gt;t, veio o &lt;em&gt;chat&lt;/em&gt; e, ao abrir de um computador, temos a fila dos nossos amigos, daqueles com quem trabalhamos, dos familiares que nos escrevem, todos a saber que estamos ali, a reclamar a nossa presença, com as suas perguntas, a sua necessidade de conversar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É um tempo em que os sentimentos são surpreendidos, as intimidades não podem ser dissimuladas, os recônditos do humano à mercê de serem devassados. É uma época em que o não responder logo abre a porta ao «&lt;em&gt;que se passa?&lt;/em&gt;» inquisitivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não estar &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; passou a ser um motivo de preocupação, como quem, nos tempos idos, passava por uma casa às escuros e na ausência de luz intuía a morte dos seus habitantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E depois somos nós, ansiosos de companhia e desejosos de sermos prestáveis, a imiscuir-nos, quantas vezes sem um «&lt;em&gt;com licença&lt;/em&gt;» pela vida dos outros, risonhos quando estão tristes, desesperados quando eles precisavam de estar contentes, palradores quando eles querem a solidão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aprende-se sempre à nossa custa o valor do silêncio, como a beleza do abrir de uma carta pensadamente escrita e que espera uma resposta cuidadosamente redigida. Aprende-se, sobretudo, sempre à nossa custa, a trancar-nos por dentro. Sucede às vezes nos maus momentos. Pena é que seja assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7415840968292905925?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7415840968292905925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7415840968292905925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/02/os-maus-momentos.html' title='Os maus momentos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8422704780814837360</id><published>2008-02-06T23:43:00.000Z</published><updated>2008-02-07T00:01:16.529Z</updated><title type='text'>O jardim da vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 17 de Fevereiro de 2005 num blog que entretanto apaguei como tanta coisa na vida desfiz, escrevi: «&lt;em&gt;Nestas alturas em que está tudo na imprensa atulhado de política eleitoralista, dei comigo, fugido, a ler tranquilamente todas as folhas do «Jornal de Letras», tal como os velhotes com vagar que, nos jardins, lêem dos jornais os anúncios e mais a necrologia. Uma sensação de paz e de tranquilidade invade a alma de uma pessoa, quando uma coisa destas se proporciona, Vem lá, neste último número, um texto de apontamentos auto-biográficos do Jorge Silva Melo, um texto tocado de humanidade, como um jardim soalheiro povoado de pessoas. Vi que ele tem 58 anos, uma idade de referências que me dizem sempre qualquer coisa, talvez роr eu ter 55. Li e reli, tal como um velho num jardim, a escutar de um outro as grandes e pequenas histórias de uma vida. Cheguei ao fim, com a alma a dormitar, contente, "a vida a andar por aí"&lt;/em&gt;».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje dou comigo a ter 58 anos de idade, a idade que ele tinha então e, aqui ao lado, com o livro em que condensa essas e tantas outras das suas crónicas, esse «calendário privado mas sazonal». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O livro não tem prefácio, nem preâmbulo, mas tem nota final. Termina com estas palavras magníficas: «vou vivendo, e, feliz, trabalhando. Sobre isso, ainda não sei escrever».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leio a palavra feliz, como se perguntasse ao velho do lado, entre o trôpego e o sonolento, o que quer isto dizer. O livro chama-se «Século Passado», é um hino à alegria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8422704780814837360?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8422704780814837360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8422704780814837360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/02/o-jardim-da-vida.html' title='O jardim da vida'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4768504309016214022</id><published>2008-01-25T03:37:00.000Z</published><updated>2008-01-25T03:53:13.103Z</updated><title type='text'>A ilusão nocturna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Liga-se o Google, escolhe-se uma cãmara da Brisa e fica-se, em tempo real, no lugar onde não estamos. A esta hora de insónia estou a subir a recta para Monsanto, Montes Claros à minha direita, quase ao alto onde se inicia a descida rumo ao rio, mais abaixo corta-se para Sintra, via Queluz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há pouco ia um táxi a subir, sabe-se lá com quem, com que destino, a que propósito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Vila Real-Sul, entretanto, está tudo às escuras, o mesmo, compreensivelmente em Sarilhos Grandes. A imagem, na sua negritude, com umas luzes em fundo, lembra Bagdad, na hora dos bombardeamentos, vistos pela CNN. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de desligar, ainda fui à Segunda Circular, ali pelo radar do aeroporto. Duas luzes lúgubres de automóveis nocturnos, eis o que há para ver. Na faixa oposta, uma carrinha de caixa fechada rumo ao norte, transporta no seu bojo a ilusão nocturna de viajar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4768504309016214022?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4768504309016214022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4768504309016214022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/01/iluso-nocturna.html' title='A ilusão nocturna'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-9044326047980427851</id><published>2008-01-12T20:25:00.000Z</published><updated>2008-01-12T20:35:10.764Z</updated><title type='text'>O silêncio em permanência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há um estranho fenómeno, talvez de envelhecimento natural, talvez de degradação patológica, que é um zumbido na cabeça, audível no silêncio e em permanência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagina-se um insecto, em voo interminável pelo espaço oco da memória que se perde, uma sereia de ambulância rompendo a sua aflição pelos labirintos da imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz companhia, quando se irritam, azedos, connosco e nos culpam, irritados, por sermos irritantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ante ele, ficamos a pensar no paradoxo, como se o víssemos, incompreensível, diante dos olhos. Depois lemos, escrevemos sobre o que se lê ou dorme-se para poder ler às escuras e escrever no vazio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um zumbido que faz com que cada um sinta em si a presença de outro, esvaindo-lhe a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem que é uma questão de ouvido, ou talvez um problema cardíaco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia a Natureza tem pena e manda desligar o sinal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-9044326047980427851?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9044326047980427851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/9044326047980427851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/01/o-silncio-em-permanncia.html' title='O silêncio em permanência'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8628920441868704848</id><published>2008-01-09T23:55:00.000Z</published><updated>2008-01-11T00:04:07.942Z</updated><title type='text'>O inesperado momento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi hoje, em Vila do Conde. Tinha aproveitado a oportunidade para fotografar a Vila Simultânea, onde viveu a Sonia Delaunay, por causa de um livro que estou a escrever sobre a sua pessoa. De passagem, a caminho do Arquivo Municipal, na mira de encontrar algum resto documental, cruzei-me com a magnífica Biblioteca Municipal. Um instinto fez-me estacionar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheia de gente nova, alguma a surfar na Net, outra a estudar, uns a ler, um local tranquilo, a esperança de que me socorresse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trouxeram-me, requisitado, o catálogo que a Câmara Municipal editara, numa exposição alusiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então que dei por por ele. Estava a meu lado, como se invisível. Sentira-me o embaraço de investigador à procura, qual Polegarzinho, de reconstituir o percurso dos miolinhos de pão de uma história. Reformado, vestido desportivamente, a ler um catálogo sobre Amsterdam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Identificou-se, «embarcadiço», vivera em Lisboa, «passo os dias aqui». Ante o meu sim distraído, os olhos cravados no que eu lia, ciciou-me: «A criada da Sonia, que foi presa também, era da minha família». «A Beatriz?», perguntei, como se o mais natural encontro do Mundo tivesse acontecido. «Sim, é essa aí na folha que o senhor está a ler!».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aconteceu tudo em 1916. Em 2008 o destino colocou-nos ali, no improvável lugar, no inesperado momento, ele, eu, a Sónia, a Beatriz e o sonho de um dia magnífico a acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheguei a Lisboa exausto de coincidências.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8628920441868704848?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8628920441868704848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8628920441868704848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2008/01/o-inesperado-momento.html' title='O inesperado momento'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7029320403692278947</id><published>2007-12-25T08:30:00.000Z</published><updated>2007-12-25T08:53:19.553Z</updated><title type='text'>A hora propícia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«&lt;em&gt;As pessoas que eu admiro são aquelas que nunca acabam&lt;/em&gt;». A frase é do José de Almada Negreiros. Lembrei-me dele porque esta manhã acordei com os sinos da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, da qual ele desenhou os vitrais, a tocarem, trazendo-me à superfície do despertar um mundo iluminado. Já ontem à noite eles convocaram os fiéis para a Missa do Galo. Nunca antes, embalando a minha dormência, me pareceram terem ecoado tão longe e tão profundamente, no silêncio do Natal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Almada, que no dizer do professor Pardal Monteiro, foi o mais arquitecto dos pintores portugueses, disse da alegria que ela é «&lt;em&gt;o prémio dos longos dias sem fim: é aquela hora propícia aos que a souberam esperar&lt;/em&gt;»! Eis, pois, um Bom Natal, para vós, habitantes da eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7029320403692278947?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7029320403692278947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7029320403692278947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/12/hora-propcia.html' title='A hora propícia'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8357723619573278748</id><published>2007-12-11T22:17:00.000Z</published><updated>2007-12-11T23:52:28.340Z</updated><title type='text'>Uma vida, um sorriso</title><content type='html'>No lugar onde eu nasci havia um dentista que se chamava ou era alcunhado como o Ganchas. Nome estranho, personagem invulgar. O modesto consultório era um tabique forrado a cautelas de lotaria, vestígios de tão má sorte como a perda dos molares ou um dente do siso nascido já apodrecido, a ter de ser rachado a golpes de escopro, às marteladas.&lt;br /&gt;No meio da saleta assim improvisada, a cadeira, como a de barbeiro, só que dentes em vez de cabelos arrancados ali e à força de torquez.&lt;br /&gt;Mas a maquineta que ainda hoje ressoa nos interstícios das minhas memórias mais recônditas daquele local torcionário, é a broca, inferno moedor movido a pedal, roda ao cimo, accionada pelo tape-tape da bota do Ganchas.&lt;br /&gt;O Ganchas, por desgraça ou fatalidade era coxo e assim, na sua fúria de fazer rodar o engenho e, através dele, aquele ferro esburacador com o qual minerava túneis na dentição alheia, projectava de cada cárie uma chuva de esquírolas lascadas, de quando em vez, falhado o gesto, pedaços sanguinolentos de gengiva abrasada.&lt;br /&gt;Cuspia-se, enfim, num escarrador nojento, o asco por tudo aquilo estar a acontecer, como se um filho perdido em golfadas de dor, sonhado o sorriso alvo da sua vida, no sórdido lugar da sua morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8357723619573278748?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8357723619573278748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8357723619573278748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/12/uma-vida-um-sorriso.html' title='Uma vida, um sorriso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3232544166465571256</id><published>2007-12-06T23:57:00.000Z</published><updated>2007-12-07T20:25:43.267Z</updated><title type='text'>Velhas histórias</title><content type='html'>Nascido em Angola foi em Viseu que cresceram as minhas raízes. Foi lá que a adolescência me surpreendeu. Foi lá que encontrei hoje família, memórias, velhas histórias, fotografias que o tempo amareleceu. Há em Fundo de Vila, Castendo, várias ruas com o nome de Barreiros. São os que antes de mim por aqui passaram. Ontem passearam pela minha memória. Estão todos mortos esses meus antepassados. Fizemo-los reviver. Obrigado a quem o permitiu! Regressei a Lisboa menos só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3232544166465571256?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3232544166465571256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3232544166465571256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/12/velhas-histrias.html' title='Velhas histórias'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3963826755806132795</id><published>2007-11-02T18:29:00.000Z</published><updated>2007-11-02T18:38:50.400Z</updated><title type='text'>A roda dos expostos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lembrei-me do «&lt;em&gt;porque é que se expõe?&lt;/em&gt;», para o qual não tive resposta. Lembrei-me porque vi há pouco mais umas de tantas gralhas com que escrevo, trocas de letras, concordâncias gramaticais erradas, frases desconexas, tudo o que deslustra quem escreve. E vi depois o que revela o contrário do mito, a antítese do herói, a pequenez vulgar do ser. Sim, ele é assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há pouco recebi um telefonema: «&lt;em&gt;José António, quando puderes, vamos comprar outros canários, pois os que me deste quando fiz anos, fugiram e quando passo ao pé da gaiola sinto vontade de chorar&lt;/em&gt;». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É isto a vida, chegando-se ao limiar da solidão, sendo-se velho e não se tendo ninguém, isto o descrevê-la, por ser verdade, dois canários bastam como ilusão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3963826755806132795?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3963826755806132795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3963826755806132795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/11/roda-dos-expostos.html' title='A roda dos expostos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7515640540682454749</id><published>2007-09-18T20:38:00.000+01:00</published><updated>2007-09-18T21:23:49.873+01:00</updated><title type='text'>O mundo irreal</title><content type='html'>Eu achava que era bom tomar o pequeno-almoço sentado à mesa, conseguir comer com calma as duas refeições, ter tempo para ler o jornal, ir de quando em vez ao cinema, encontrar um sorriso ao chegar-se a casa para um serão com uma família que tivesse resistido. Eu achava que era bom que isso se não perdesse e que a vida se não tornasse um automatismo das funções.&lt;br /&gt;Ontem, por uns momentos, encontrei uma criatura que estudava epigrafia grega. No seu sorriso perturbador eu vi um mundo irreal. Tinha-lhe chegado um livro sobre o processo civil romano, escrito em alemão. Atropelando a euforia que intuía no seu sentir do momento, falei-lhe no teorema de Pitágoras a propósito do enigma é que viver a diagonal da vida, num mundo só com ângulos.&lt;br /&gt;Ah! Nada nele tem a ver com o Direito. Lê sobre as leis dos romanos como estuda a arte na Suméria. O seu reino não é deste mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7515640540682454749?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7515640540682454749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7515640540682454749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/09/o-mundo-irreal.html' title='O mundo irreal'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1562628217462250799</id><published>2007-09-14T22:42:00.000+01:00</published><updated>2007-09-14T22:47:20.235+01:00</updated><title type='text'>A pequenez do dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Comecei a arrumar a minha casa como se começasse a arrumar a minha vida. Descobri que tinha um catálogo de uma exposição que foi feita em homenagem ao José Gomes Ferreira. E nele encontrei a frase que resume, na hora do despertar este meu estado nocturno: «&lt;em&gt;acordei hoje cansado de ser mais pequeno do que sou&lt;/em&gt;». Tento vencer o sono, inferiorizado por não ser capaz, cansado hoje, talvez, pequeno, afinal, sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1562628217462250799?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1562628217462250799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1562628217462250799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/09/pequenez-do-dia.html' title='A pequenez do dia'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7460361431101536613</id><published>2007-09-08T22:51:00.000+01:00</published><updated>2007-09-08T23:03:22.423+01:00</updated><title type='text'>A infinita incapacidade</title><content type='html'>A frase é atribuída a Albert Einstein: «&lt;em&gt;Só duas coisas são infinitas, o universo e estupidez humana, e eu não estou seguro sobre o primeiro&lt;/em&gt;». Se não houvesse um blog chamado «interrupção voluntária da estupidez», arriscava arrepender-me . Lembrei-me disto hoje mesmo, por não ser capaz de entender convenientemente nada do que me dizem, «&lt;em&gt;com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada&lt;/em&gt;».&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7460361431101536613?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7460361431101536613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7460361431101536613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/09/infinita-incapacidade.html' title='A infinita incapacidade'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5331853856093594079</id><published>2007-08-19T21:38:00.000+01:00</published><updated>2007-08-20T03:22:38.432+01:00</updated><title type='text'>Bons propósitos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entrei em obras e saí delas. Caliça, cheiro a tintas, promessas de prazos, móveis fora do lugar, livros carregados daqui para ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente acabaram, e com o fim das obras veio agora o reconstruir do meu mundo em gavetas, a tentativa de ordenar o caos, de dar sentido à desarrumação em que se tornou a vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por causa da racionalidade do gesto, esfalfo-me na irracionalidade do esforço, arcando com sacos de livros, do escritório para casa, desta para aquele, como se o uno pudesse ser dual, o divisor de dois pudesse ser tantos quantos os que há.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Animal de carga, eis-me hoje, cheio de bons propósitos e melhores intenções, ao serviço do meu ser leitor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5331853856093594079?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5331853856093594079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5331853856093594079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/08/bons-propsitos.html' title='Bons propósitos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8033376840583517110</id><published>2007-08-17T22:25:00.001+01:00</published><updated>2007-08-17T23:04:58.335+01:00</updated><title type='text'>Antigamente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antigamente, quando foi tempo em que eu não dizia antigamente, a chegada do vento marcava a despedida do Verão. Os banheiros recolhiam os toldos de praia, as mães recolhiam as crianças renitentes, regressadas a casa de má vontade, os lábios roxos de frio, a hora tardia. Era o tempo da nostalgia dos amores de ocasião, o regresso preguiçoso aos livros, as noites mal dormidas acossadas pelo despontar do corpo, os adultos a conversarem na varanda, embrulhados em cobertores, a lua como testemunha. Hoje cheguei a Lisboa, a cidade revirada de vento, anunciando a chegada do Inverno, eu a dizer a palavra antigamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8033376840583517110?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8033376840583517110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8033376840583517110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/08/antigamente.html' title='Antigamente'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-579769540039323284</id><published>2007-08-14T22:47:00.001+01:00</published><updated>2007-08-14T22:53:57.977+01:00</updated><title type='text'>A imensidão do ausente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há no evoluir dos seres a fase do recolhimento, em que as almas lentamente se concentram no âmago de cada ser, tal como os corpos mirram, secando com o envelhecer. Tudo nasce pequeno e se vai reduzindo à sua insignificância de semente primordial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida como se soubesse isso, assim age.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os outros começam por estranhar-nos os silêncios, quando se apercebem que não falamos, as ausências quando lhes ocorre olharem para o lado. Um dia calha perguntarem porquê, sem darem conta que não se lhes respondeu. Continuam tagarelando com a vida, renovando esse debicar em superficialidades aparentes, o mordiscar em aparências fugazes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nota-se isso nas esplanadas familiares, os olhos dos velhos perdidos na imensidão do outro lado do mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-579769540039323284?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/579769540039323284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/579769540039323284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/08/imensido-do-ausente.html' title='A imensidão do ausente'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1764746450782539473</id><published>2007-08-11T01:51:00.000+01:00</published><updated>2007-08-11T01:54:53.213+01:00</updated><title type='text'>O tempo sobejante</title><content type='html'>Lembrando, ao citá-la, uma frase de um conto do meu livro «Contos do Desaforo», a &lt;a href="http://susanagar.blogspot.com/2007/08/ela.html"&gt;Susana&lt;/a&gt;, teve a gentileza de o associar à imagem forte de um mulher que espera, as costas voltadas a tudo, a indiferença de um não olhar. Bem-haja!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1764746450782539473?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1764746450782539473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1764746450782539473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/08/o-tempo-sobejante.html' title='O tempo sobejante'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5155411804614873710</id><published>2007-08-07T14:36:00.000+01:00</published><updated>2007-08-08T00:56:34.281+01:00</updated><title type='text'>Uma «Romanza»</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem foi dia de alegria. O meu editor da Presença disse-me que está contente com o livro de contos que me editou, os «Contos do Desaforo». Eu de vez em quando dou uma espreitadela, tímida, a algo do que nele escrevi, com receio de me envergonhar ao reler. O meu amigo sábio disse-me um dia que a obra que fica é aquela que eu não renegar após uns anos de edição. Oxalá os anos passem depressa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora falam-me na ideia de um romance. Ontem, antes de apanhar o comboio, em Entrecampos, vi, na livraria que ali há, tantos romances que me assustei! Ainda por cima, eu inculto me confesso, não li nenhum dos que vi. Imagine-se que no meio daquelas resmas de papel está um que seja rigorosamente igual ao que eu escrever? Não é medo do plágio, é o receio da vulgaridade que me refreia! Ao meu lado, na carruagem, uma rapariga lia, concentrada, um livro sobre mítica e mística, na forma de uma gigantesca narrativa com um halo arturiano e um odor a faunos pelos bosques; enquanto isso trincava maçãs, mordiscando-as, provocadora. Com leitoras assim até um homem se arrisca a romancista! A cada página, dava ganas de a folhear só com o olhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5155411804614873710?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5155411804614873710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5155411804614873710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/08/uma-romanza.html' title='Uma «Romanza»'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-3151144133689557051</id><published>2007-08-03T00:48:00.000+01:00</published><updated>2007-08-03T01:02:03.756+01:00</updated><title type='text'>Momentos inesperados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há momentos inesperados na vida de um ser humano. Sabem-nos os que amanheceram com a crença inesperada numa ideia, a fé num ideal. Conhecem-nos quantos esgotaram a capacidade nocturna de se conformarem com uma mentira fria, a impossibilidade de ignorarem a lua quente de uma ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda esta grandeza ocorre na pequenez do ser individual, como a infinitude do cosmos num átomo de vida, o todo em tudo, o indizível no já dito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse dia em que o monje mortificado recolhe à sua cela, ou a fêmea em cio se oferece à cama, a vida floresce no seu renovar-se diferenciado, como a sequência das estações ou a maré fecunda no ventre de cada mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há momentos inesperados em que nos cruzamos com a glória do que somos e com a vergonha do que temos. Depois, fazemos por esquecer, a Natureza amiga a lançar-nos o socorro da senilidade para que descansemos, enfim, em paz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-3151144133689557051?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3151144133689557051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/3151144133689557051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/08/momentos-inesperados.html' title='Momentos inesperados'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-197630803778477885</id><published>2007-07-25T01:02:00.000+01:00</published><updated>2007-07-25T01:45:43.093+01:00</updated><title type='text'>O fiel entendimento de si</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lentamente vamos encerrando a sociabilidade indiferente, como quem deixa de levar na bagagem a muda de roupa que jamais mudará. Depois, vamos libertando os intímos da obsessiva presença de nós, devolvendo-lhes a cómoda ausência da nossa memória, como quem meticulosamente rasga amarelecidos retratos de um tempo em que se era feliz. Ficamos, enfim, reduzidos aos que herdaram a nossa presença, como quem se dá conta dos móveis que tem em casa por um dia os ter escolhido. Em noites de insónia nota-se mais o que nos falta, por não se conseguir sequer sonhar. Restam os dias de trabalho, em que o espírito se narcotiza na alucinação do esgotamento. Chega-se a um momento e está-se só, o firmamento por testemunha, a vigília interminável. Há quem escreva para vir dizê-lo, há quem, mesmo escrito, jamais o consiga entender.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-197630803778477885?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/197630803778477885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/197630803778477885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/07/o-fiel-entendimento-de-si.html' title='O fiel entendimento de si'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-2623023707596839357</id><published>2007-07-21T12:01:00.000+01:00</published><updated>2007-07-21T12:28:30.688+01:00</updated><title type='text'>O evanescente conceito do amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Finalmente eis-me a acordar tarde numa manhã de sábado, sem a sensação de pecado, e a voltar à leitura do Manuel Laranjeira, ao seu «Diário Íntimo». Laranjeira, médico em Espinho, manteve uma relação íntima com um singela rapariga de superficial instrução e profundos sentimentos, chamada Augusta, a quem dedicou a sua torturada alma e os seus «nervos infelizes».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isto sucedeu ante o escândalo da burguesa sociedade local e o olho invejoso das preteridas outras, muitas casadas com conveniências públicas e esfaimadas por oportunidades secretas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi ao voltar uma folha desse livro antigo, impresso em 1957 pela extinta Portugália, que me cruzo com um enunciado do evanescente conceito que é o amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi no dia 31 de Julho de 1908, uma sexta-feira. Falando de banalidades, brincando às escondidas o jogo do &lt;em&gt;bem-me-quer-mal-me-quer&lt;/em&gt; que é o peguilhar infantil do querer adulto, ele diz-lhe e anota o dito: «&lt;em&gt;Tu já não és tu, és uma parte de mim mesmo&lt;/em&gt;».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez haja tratados sobre o que é amar, mas não uma frase assim que simbolize o estar enamorado, mesmo ante a «imperfeição das almas».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-2623023707596839357?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2623023707596839357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/2623023707596839357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/07/o-evanescente-conceito-do-amor.html' title='O evanescente conceito do amor'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-8007913392335966063</id><published>2007-07-15T19:43:00.000+01:00</published><updated>2007-07-15T19:44:09.263+01:00</updated><title type='text'>A silhueta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Primeiro, era o modo de vestir e o vestido, a maneira de sorrir e o sorriso. Depois era o rosto por debaixo do sorriso, a pele por detrás do vestido. Enfim, as ideias que a cabeça albergasse, os desejos que o corpo exigisse. Estava na janela de um café, como se na amurada de um navio, à balaustrada de uma varanda. Voltei ao princípio, agora pela ordem inversa, cabeça primeiro, rosto depois, sorriso, enfim. A cada uma das coisas, juntava outra. Momentos depois, entre sorrisos e desejos, mais um café, se faz favor também se usa, perguntava-me o que é a essência e a circunstância, o substantivo e o qualificativo. A criatura, entretanto, soergueu-se, como se soerguem as demais criaturas. Um sentimento de vulgaridade envolveu-lhe a silhueta. Ao cruzar-se com a porta voltou para trás. Por momentos o mundo ficou em suspenso. Ao tique taque do meu relógio interior, recomecei, do modo de vestir ao despido, do modo de sorrir à gargalhada estridente. Desventrado no meu ridículo, sentia-me como se diante do absurdo. Era, porém, o meu dia de sorte. Nada daquilo tinha a ver comigo. Regressara afinal por causa dos cigarros, eu que não os fumo. Esqueci-me deles, ainda me disse, como se em justificação para ter voltado, não fosse eu ter ilusões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-8007913392335966063?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8007913392335966063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/8007913392335966063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/07/silhueta.html' title='A silhueta'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-871254608858774491</id><published>2007-07-07T11:42:00.000+01:00</published><updated>2007-07-07T11:55:29.875+01:00</updated><title type='text'>O real e o ilusório</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje de manhã olhei para ele. Ali estava, paciente, à minha espera. Tinha-o comprado depois de no ano passado ter ido a São Petersburgo. Confessei então a sem-vergonha de nunca ter lido o Dostoiévski. Dedicado a redimir o erro, livro a livro fui enchendo com a sua literatura a estante e o chão circundante, as suas obras pesadas, histórias de homens densos, de figuras desesperadas, onde a felicidade é uma forma tristonha de estar em paz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiódor Dostoiévski escreveu os «Cadernos do Subterrâneo» em 1864. Esta manhã entendi o que é «o direito de desejar para si até o extremamente estúpido». Acordar ums pessoa, olhar-se ao espelho e dedicar o dia à procura de tornar-se contente, evitando que a noite chegue e com ela a constatação de que não foi possível. Logo talvez vá ao cinema. Lá é sempre noite e tudo, mesmo o real, é ilusório.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-871254608858774491?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/871254608858774491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/871254608858774491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/07/o-real-e-o-ilusrio.html' title='O real e o ilusório'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4024935694236812312</id><published>2007-06-24T11:47:00.000+01:00</published><updated>2007-06-24T11:55:51.380+01:00</updated><title type='text'>A grande viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acabei de ler, já o dia se aproximava, «O Bon-Odori em Tokushima», do Wenceslau de Morais. Escrito no lugar que escolheu para morrer, é um «livro de sensações», o diário filosófico e sentimental de um homem que decidiu ser nada no momento em que a vida se lhe acabava e optou por aguardar a grande viagem de regresso naquele belíssimo «poiso de nulidade». Com ele aprendi que «&lt;em&gt;a dor não dura muito, não pode durar muito: a saudade dura sempre&lt;/em&gt;». Aprendi, digo bem, pois sabê-lo não é em nada o mesmo que senti-lo. Ao homem a quem não resta a esperança, sobra a saudade: vive assim eternamente!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4024935694236812312?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4024935694236812312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4024935694236812312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/06/grande-viagem.html' title='A grande viagem'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1822552286361751557</id><published>2007-06-11T00:50:00.000+01:00</published><updated>2007-06-11T01:44:52.824+01:00</updated><title type='text'>O homem e o mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escreve um homem três linhas logo pela manhã do seu acordar feliz e chega-lhe insólita a noite com o eco de si por companhia. É este real amargo, que anula a esperança, situa a alegria e refreia a ilusão, aquilo a que se chama a vida. Pateta, a carta na mão, ei-lo confiando à mala postal que pesado cargueiro levará pelos mares ao longínquo além, a missiva breve. Hesita no cais. Com ela amarfanhada no bolso regressa a casa. Ao entardecer, há no horizonte o último momento da imagem de um navio a ser devorado pelo mar, no cais a sombra de um homem a ser devorado pela vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1822552286361751557?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1822552286361751557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1822552286361751557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/06/o-homem-e-o-mar.html' title='O homem e o mar'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-6544428372188324656</id><published>2007-06-07T13:39:00.000+01:00</published><updated>2007-06-07T14:06:57.318+01:00</updated><title type='text'>Quarto com vistas sobre a cidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu às vezes não apareço aqui, não é porque não goste de «dar nas vistas», como com tanta inteligência o conseguiu descobrir, finalmente, um comentador de televisão, daqueles que têm sempre uma opinião zangada sobre todos os assuntos e sobre as pessoas e sobre as todas coisas. É só porque, ao ter-me sentido descoberto, neste meu gosto perverso, o ser objecto do voyeurismo público, deu-me um súbito ataque de timidez. Graças ao bom humor inteligente do &lt;a href="http://incursoes.blogspot.com/2007/06/au-bonheur-des-dames-69.html"&gt;MCR&lt;/a&gt;, descobriram-me o porquê. E agora, José?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-6544428372188324656?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6544428372188324656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/6544428372188324656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/06/quarto-com-vistas-sobre-cidade.html' title='Quarto com vistas sobre a cidade'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7840139378557768956</id><published>2007-05-12T14:46:00.000+01:00</published><updated>2007-05-12T15:00:35.512+01:00</updated><title type='text'>O artigo partitivo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O português antigo conhecia o artigo partitivo, como o ilustra a expressão «deram-lhe da augua a beber». Aprendi isso na «Gramática do Português Antigo, um livro didáctico que aqui a Fundação Gulbenkian, que da minha janela diviso, fez o favor de editar. Escreveu-o Joseph Huber, um austríaco amante da língua portuguesa. Pena que a fórmula tenha caído em desuso. Usá-la-ia para falar daqueles que «vivem da vida» aquilo que podem, ficando o resto por fruir. Seria, talvez, a minha auto-biografia, numa palavra só.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7840139378557768956?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7840139378557768956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7840139378557768956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/05/o-artigo-partitivo.html' title='O artigo partitivo'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-4287798196476584815</id><published>2007-04-26T23:50:00.000+01:00</published><updated>2007-04-26T23:56:31.219+01:00</updated><title type='text'>Uma vida de reclusão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entreguei hoje, enfim, terminado o texto final, revisto, as provas a granel do que será um livro de contos. Como por razões editoriais tinha que se dar à obra uma certa unidade sistemática, tive que inventar um conto final, para o encerrar com lógica e coerência. Sem tempo, escrevi-o em improvisação dorida. Depois de o ler, senti-me no internato da vida. Foi sobre isso que escrevi precisamente, numa lamúria biográfica de uma vida que me roubaram.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-4287798196476584815?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4287798196476584815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/4287798196476584815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/04/uma-vida-de-recluso.html' title='Uma vida de reclusão'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-310727413945327651</id><published>2007-04-25T19:12:00.000+01:00</published><updated>2007-04-25T19:21:05.137+01:00</updated><title type='text'>A enxada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Graças à amabilidade do MCR, estive em Matozinhos, com a Madame Kamikaze, a assistir ao notável encontro organizado pelo Francisco Guedes sobre a Literatura em Viagem. Foi aí que o vi, ao laureado escritor, o Germano Almeida, de que eu lera já dois livros. Alto, tímido, fixava-me. Numa das voltas do vaivém entre o almoço e o autocarro, surpreendeu-me: «já não se lembra de mim, mas deu-me aulas de Direito Penal, em 1976». Fiquei atónito pela amnésia, mas mais ainda por me ter cruzado, sem o saber, com quem viria a ser aquilo que hoje é. Fui então ler «O Testamento do sr. Napumoceno da Silva Araújo», aquele que escreveu: «sempre considerei a escola a enxada do pobre». Cá estamos amigo! Tu advogas no Mindelo, eu por Lisboa. Trinta e um ano depois, agarrados à enxada, a abrir o coval!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-310727413945327651?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/310727413945327651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/310727413945327651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/04/enxada.html' title='A enxada'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-5094353017575505913</id><published>2007-03-05T01:49:00.000Z</published><updated>2007-03-05T01:55:16.058Z</updated><title type='text'>Uma salva de palmas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há na canção tradicional com a qual se festejam os aniversários a estrofe «cantam as nossas almas». Normalmente as pessoas lembram-se do «hoje é dia de festa». Há no festejar o dia de anos a alegria do tempo triste que se foi, a promessa de sermos melhores a seguir. Por isso se juntam os amigos: para testemunharem, celebrando cantando, uma alma nova, no novo ano, «nesta data feliz».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-5094353017575505913?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5094353017575505913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/5094353017575505913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/03/uma-salva-de-palmas.html' title='Uma salva de palmas'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-7169023849824781221</id><published>2007-02-23T23:34:00.000Z</published><updated>2007-02-23T23:41:00.140Z</updated><title type='text'>O bilhete de ida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nem sei como, mas compreendo porquê, consegui ler, aos poucos, o «Caderno de Lembranças» do Agostinho da Silva, esses momentos de memória sobre a sua pessoa. Chega-se ao fim e compreede-se o que eles quer dizer quando escreve que «toda a vida é curta para a vida». É por isso que, de novo nas suas palavras, «a morte e só a ida». Naturalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-7169023849824781221?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7169023849824781221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/7169023849824781221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/02/o-bilhete-de-ida.html' title='O bilhete de ida'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-828208895097559395</id><published>2007-02-20T17:57:00.000Z</published><updated>2007-02-20T18:05:38.924Z</updated><title type='text'>O garrafão de água do Luso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aproveitando o ser feriado, como se fosse indiferente empregado por conta alheia dos que só trabalham nas horas de expediente e fecham o guichet das obrigações a horas certas e metem fim de semana e ponte e mais tolerância de ponto para terem tempo inútil para si, aqui estou, com uma nesga da Basílica da Estrela à vista, a ler a biografia do Alexandre O'Neill. O O'Neill chamava-lhe «o garrafão da água do Luso», talvez pela sua forma bojuda. Mas não foi por causa disso que eu vim aqui. É que há neste livro, que em cada folha me vai entusiasmando, um momento em que a sua autora diz que não se pode reconstituir uma vida, apenas reconstrui-la. Eu, que já escrevi sobre algumas vidas alheias, sei que assim é: inventei-me através delas, ficcionando-me no que não sou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-828208895097559395?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/828208895097559395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/828208895097559395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/02/aproveitando-o-ser-feriado-como-se.html' title='O garrafão de água do Luso'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-1951722244091261444</id><published>2007-02-18T12:58:00.000Z</published><updated>2007-02-18T13:05:47.984Z</updated><title type='text'>Verdadeiramente itinerante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;* Ontem descobri a terceira. A primeira está em Campo de Ourique, antes do Canas, a seguir à farmácia, perto do lugar onde caíu a granada que, disparada do Tejo, marcou a queda da Monarquia. São pelos vistos três mulheres alfarrabistas nesta cidade de Lisboa. «Há outras, mas que trabalham com os maridos ou com os pais», disse-me. E eu acrescentei: conheço outra, verdadeiramente itinerante, que não tem loja e trabalha com os filhos. Fazem todas parte desta enorme família, em que nunca se está só.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-1951722244091261444?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1951722244091261444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/1951722244091261444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/02/verdadeiramente-itinerante.html' title='Verdadeiramente itinerante'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116942028268303730</id><published>2007-01-21T22:52:00.000Z</published><updated>2007-01-21T22:58:02.693Z</updated><title type='text'>O Senhor Eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Consegui recomeçar a ler. Lentamente. Tenho tantos livros a meio, mas achei preferível ir buscar um que ainda não tivesse iniciado, como se quisesse banhar-me em novidade. Claro que é um livro já relativamente antigo, publicado em Junho de 1978 [como isto para mim foi ontem!], com as memórias de infância do José Gomes Ferreira, o «Coleccionador de Absurdos». Vim aqui dizê-lo, por ter visto lá menção ao «Senhor Eu», assim: «Eu. Exactamente. Aquele que nunca consegui atar à minha imagem, ao que penso de mim - cada vez mais alheio ao que sou e fui. O Senhor Eu». Depois disto, que poderei eu dizer mais aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116942028268303730?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116942028268303730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116942028268303730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/01/o-senhor-eu.html' title='O Senhor Eu'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116889023678711141</id><published>2007-01-15T19:22:00.000Z</published><updated>2007-01-15T19:55:48.883Z</updated><title type='text'>Uma questão de imagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perca tempo e imagine-se como os outros o vêem. Ficará supreendido ante a imagem grotesca, caricatural, deformada, ridícula, da sua pessoa. Sofrerá com isso, pela certa. Apetecer-lhe-á chegar à janela e gritar: parem! Isso é mentira! Essa imagem é uma contrafacção! Abaixo os falsificadores! Só que o problema nem é esse. O problema, como já vem da Idade Média, é o das imagens e do venda de imagens. Hoje, com a sociedade do espectáculo, cada indivíduo tenta passar pelo que não é, vê no outro o que gostava que ele fosse. Nos olhos primeiro e na boca de muitos, somos os recalcamentos, as ambições, as fantasias das suas vidas: heróis à força, vilões por definição, seja o que for que lhes quadre. Perca tempo, imagine-se em pelota no meio da rua, um letreiro ao peito a dizer «eu não sou eu!». Não vale mesmo a pena. Fica constipado e desiludido, sobretudo com os que julga amigos e são sempre os piores algozes. Os melhores serão os que cravarem apenas alfinetes no seu retrato.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116889023678711141?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116889023678711141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116889023678711141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/01/uma-questo-de-imagem.html' title='Uma questão de imagem'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116816783382650836</id><published>2007-01-07T10:53:00.000Z</published><updated>2007-01-07T11:03:53.840Z</updated><title type='text'>A peste</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Folheei-o, ontem, ao livro da poesia completa do Anrique Paço d' Arcos de que a Imprensa Nacional deu à estampa agora a segunda edição. Li-as, às breves memórias literárias que escreveu e com as quais os organizadores em boa hora decidiram iniciar o volume. E não é que nelas encontro, na última linha exactamente a mesma frase biblíca que ao findar o dia, li num conto do Borges sobre «a seita dos trinta», a admoestação de Jesus: «deixai que os mortos enterrem os mortos»! Talvez esta frase coincidente seja um repto contra as inúteis pompas funerárias, talvez possa ser o retrato pestífero de um mundo acabado, ao qual, afinal, ninguém sobreviveu. Sentado na cama, embrulhado num cobertor, ouço, longínquo, o latir premonitório de um cão, a estridente sirene das ambulâncias aflitas, da ilusão de vida que é o hospital na rua em frente&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116816783382650836?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116816783382650836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116816783382650836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/01/peste.html' title='A peste'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116782000070017222</id><published>2007-01-03T10:16:00.000Z</published><updated>2007-01-03T10:26:40.716Z</updated><title type='text'>Ver para crer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Eu cri, tu creste, ele creu». É mesmo assim. Custa ouvir, mas é. Em matéria de crença, a fonética do passado no que à terceira pessoa respeita, alinha creu com breu. Claro que cada uma das palavras tem ressonâncias semânticas diversas: no caso do breu, as trevas nocturnas da ocaso da Razão, a urgência de um Diógenes e sua lâmpada, a alumiar-nos os passos. Prefiro o «eu cri». Sempre é um regresso à minha infância, em que crédulo em tudo, via em cada «cri-cri» o grilo da consciência da minha alma de Pinóquio trampolineiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116782000070017222?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116782000070017222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116782000070017222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2007/01/ver-para-crer.html' title='Ver para crer'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116534347257704462</id><published>2006-12-05T18:20:00.000Z</published><updated>2006-12-05T18:39:48.786Z</updated><title type='text'>O silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu hoje, talvez por ter decidido que nada escreveria, vim aqui a este blog, dizê-lo. É essa a vantagem dos que parece ter alguma coisa a dizer. Haver um qualquer lugar onde, enfim eles, podem ficar silenciosos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116534347257704462?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116534347257704462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116534347257704462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2006/12/o-silncio.html' title='O silêncio'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116453110590404144</id><published>2006-11-26T08:42:00.000Z</published><updated>2006-11-26T14:04:30.076Z</updated><title type='text'>O homem invisível em versão para céguinhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aquela ideia de que &lt;em&gt;o que se vê não é o que parece ser&lt;/em&gt;, eis, numa só expressão, o conceito de o «ser fictício» que dá nome a este local.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não julguem haver nisto um instante de profundidade da epistemologia do tu, onde apenas há um boçal pormenor da ontologia do eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A intenção da frase acima e do blog que lhe rouba o nome, não é enganar os leitores para que imaginem, supresos, que, por detrás do que conhecem existe um outro ou, num novo-riquismo heteronímico, muitos outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada disso: é tão simplesmente, para que percebam, enfim, que &lt;em&gt;para além do que está, nada mais há, porque o que se vê nem sequer é&lt;/em&gt;! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficamos assim entendidos e se permitem, deixem-me enroscar na minha invisibilidade, porque hoje é domingo e há dias em que um homem sente ganas de desaparecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116453110590404144?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116453110590404144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116453110590404144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2006/11/o-homem-invisvel-em-verso-para.html' title='O homem invisível em versão para céguinhos'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116386934125859143</id><published>2006-11-18T16:46:00.000Z</published><updated>2006-11-18T17:19:33.490Z</updated><title type='text'>Subtlileza irónica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quem não goste do José Gomes Ferreira por causa do primarismo militante em que por vezes, incomodados, o surpreendemos, ele cuja subtileza irónica lhe deveria exigir mais da inteligência. Mas, enfim, teimoso e pertinaz, lá voltei hoje à leitura interrompida do diário a que chamou «Os Dias Comuns». Claro que o Gomes Ferreira não gostava de muita gente, mas teve a delicadeza de numa advertência inicial à obra inscrever para os leitores vindouros: «imprimam sempre esta sentença no princípio de todos os meus diários: Àqueles que ofendo, por ter sido mal informado, peço que me perdoem e continuem a sorrir para a imagem». Sorri-me eu também ao ler isto, como quando li aquela outra parte em que ele confessa que num dedicatória de um livro seu o fez com um «a Fulana, pelo seu talento de leitora»!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116386934125859143?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116386934125859143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116386934125859143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2006/11/subtlileza-irnica.html' title='Subtlileza irónica'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22279238.post-116264530386779592</id><published>2006-11-04T12:50:00.000Z</published><updated>2006-11-05T13:45:02.690Z</updated><title type='text'>A tragédia da vida alheia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já perto da minha casa, quando a chuva nos fez separar, o meu amigo que é sábio explicava-me, recalcitrante com o português usual, como hoje se abusa do possessivo verbal, sem sentido. O exemplo podia ser o escrever «a sua vida», em vez de «a vida dele». Cheguei a casa com a ideia na cabeça. Claro que há sempre uma densidade filosófica por detrás de cada palavra. Realmente, é despudor dizer-se «a sua vida» falando a alguém quanto a algo que não lhe pertence. E não preciso invocar o Santo Nome de Deus em vão. É uma verdade que os apaixonados conhecem com o coração, sentindo-a, antes de a compreenderem, pensando-a com a cabeça:  «a sua vida» perderam-na, ao entregarem-se ao ser da sua paixão. Nalguns casos vivem possuídos, em outros possessos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22279238-116264530386779592?l=serficticio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116264530386779592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22279238/posts/default/116264530386779592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://serficticio.blogspot.com/2006/11/tragdia-da-vida-alheia.html' title='A tragédia da vida alheia'/><author><name>José António Barreiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10270004027333633699</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_A8MFNq34JL4/Ss2A1yb1VjI/AAAAAAAABF8/jPXtidUhVgw/S220/JAB-59A.jpg'/></author></entry></feed>
